Retrospectiva do MMA 2016 - confusões

Artur Dantas,

por Artur Dantas

Essa publicação tem o selo “Quem luta não briga” de qualidade.

As confusões também marcaram o ano de 2016 nas artes marciais. E foram muitas, alguma delas protagonizadas por Conor McGregor. Mas do irlandês falaremos mais tarde. Ele terá uma uma sessão só pra ele para que não roube a cena, como é de costume. 

Bem, teve de tudo um pouco por aí. Werdum brigando com o córner de Travis Browne em cima do octógono, treinador de de jiu-jitsu brigando em hotel com Matt Brown, Nate Diaz tretando com fã de McGregor e Aldo em litígio com o UFC. Veja abaixo um pouco um resumo. 

Ah, as tretas…

Cláudia Gadelha vs Joanna Jedrzejczyk

A perda da invencibilidade de Cláudia Gadelha por decisão dividida após a primeira luta contra Joanna Jedrzejczyk, em 2014, nem de longe foi bem digerida pela brasileira. Mais de um ano e meio de farpas entre as duas depois, elas voltaram a se encontrar no octógono, mas não sem antes passar obrigatoriamente pela balança. E foi na pesagem do TUF Finale 23, em julho, que as lutadoras peso palha do UFC se estranharam feito cão e gato. O tumulto, já anunciado, teve de ser contido pelo presidente do Ultimate, Dana White, como pode ser visto no vídeo. 


Ah, para contextualizar melhor, a animosidade entre ambas ganhou mais algum combustível quando ambas foram escaladas como técnicas da versão americana do The Ultimate Fighter. Inclusive, o próprio White revelou que elas saíram na mão no último dia de gravações do reality, contudo a peleja não foi registrada em vídeo. Segundo Dana, Joanna começou a provocação ao arremessar uma garrafa de água na potiguar. 

Depois disso, as atletas ainda tiveram algumas vezes cara a cara, como na coletiva de imprensa intitulada “Unstopable”. E mais uma vez, treta. Semanas depois, na pesagem, mais treta. É briga que não acaba mais. 

Veja a confusão no vídeo abaixo a partir de 1h15m. 


Abaixo, um bônus com algumas das brigas entre Joanna e Gadelha

Bastidores TUF


Bônus - Cláudia, o que você gosta de fazer na hora de lazer depois da luta?

    

Jessica Eye, a legítima mulher de fases

O assunto ainda é pesagem. E de uma luta entre mulheres de novo. Tudo ia bem quando Jessica Eye passou pela balança e foi em direção a Bethe Correia para fazer a foto da encarada. Foi aí que o caldo entornou. Tão logo colocou a guarda, a brasileira foi empurrada e isso deixou o clima bem quente, com a paraibana nitidamente furiosa. Posteriormente, Bethe venceu a luta por decisão dividida após três rounds, no UFC 203.


Cão que ladra…

Patricky Pitbull tentava uma vitória diante de Michael Chandler, no Bellator 157, para conquistar o cinturão dos leves e devolver a derrota que lhe custou o título do torneio dos leves em 2011. O brasileiro acabou nocauteado, mas quem tomou as dores foi o irmão, Patrício PItbull. Enquanto Chandler comemorava o nocaute, o ex-campeão dos penas da organização resolveu a frustração de uma forma old school, ainda que não diplomaticamente indicada nestes casos. 


Energético e água só voam se arremessados. Fato!

Durante a coletiva de imprensa do UFC 202, Conor McGregor voltou a aprontar. Após se atrasar mais de 20 minutos para o encontro com a mídia, ele chegou como se nada tivesse acontecido para a insatisfação de Nate Diaz, que deixou o local.  Momentos depois, o norte-americano e o seu time têm uma ideia: “que tal se a gente voltar por trás dos jornalistas e jogar uma garrafa d’água em McGregor?”.  Pimba! Confusão formada. Quando percebeu o que se desenhava, McGregor revidou a agressão jogando não só garrafas de água como também pegou energéticos dos colegas para arremessar contra o adversário. Uma cena lamentável para o UFC e de se encher os olhos para os periodistas presentes. 

E a pergunta que não quer calar: o que acontece quando dois bicudos se encontram?

Pergunta que não quer calar dois: choveu mais água e energético ou palavrões?


Policiais da pesada, quer dizer, da pesagem

Na pesagem que marcou a primeira vez que Nate Diaz e Conor McGregor se encontraram no UFC, a situação já não estava muito boa entre eles em virtude das provocações. Sabendo disso, o Ultimate convocou uma pequena ajuda policial para conter os ânimo dos dois. Funcionou? Mais ou menos. Os oficiais não impediram lá muita coisa. Pergunta: se tivesse dado uma grande confusão, os policiais fariam o que com os dois? Levariam pra cadeia? Desnecessário…


Pé no peito e quase soco na cara

Os chutes desferidos por Fabrício Werdum em Travis Browne na segunda luta entre os dois, em setembro, no UFC Cleveland, não foram suficiente. É tanto que no final do combate o gaúcho desferiu um chute reto no treinador do havaiano, Edmond Tarverdyan. E o motivo, qual foi? Segundo o “Vai Cavalo”, após o combate, o treinador de boxe de Browne teria soltado, enquanto o gaúcho comemorava: “Cala a boca, filho da puta”. Tudo isso depois de Werdum reagir às vaias do público com um sinal de choro, o que teria deixado Edmond bravo. Mas tão rápido a briga começou e a turma do deixa disso, incluindo o árbitro conhecido por aqui como mini Brock Lesnar (Gary Copeland) e o announcer, Bruce Buffer, colocou panos quentes, além dos corners de ambos os times. Não houve punição para nenhum dos lados.



Tarverdyan, você de novo por aqui?

Mais acima você viu que Edmond Tarverdyan foi acertado por um chute de Fabrício Werdum. E ele deveria saber que o ano não seria muito fácil para ele já em janeiro. Isso porque o treinador de Ronda Rousey e Travis Browne (é, eles dividem o técnico também) teve cassada a licença para atuar como corner. Isso porque a Comissão Atlética do Estado da Califórnia (CSAC) apontou que o armênio teria fraudado o documento que o permitiria atuar como um dos “segundos” (como são chamados os corners) e, por isso, foi suspenso durante três meses. 

À Comissão, Edmond reconheceu a culpa e foi multado em $5 mil. Em outra oportunidade, em 2010, o treinador de boxe chegou a ser preso acusado de falsificar identidade e por resistência à prisão.  Após a perda da licença, a mãe de Ronda Rousey, AnnMaria de Mars, que não parece ser muito satisfeita com o trabalho de Tarverdyan, disse que a filha é treinada por um “idiota”. 

Bem desfavorável, Tarverdyan. Bem desfavorável.

Wanderlei Silva vs Krazy Horse parte 2

Essa é pra quem acompanha o MMA desde que ele era conhecido como vale-tudo. Qual a relação entre Wanderlei Silva, Krazy Horse, o Pride e o Rizin? Resposta: todas. E o que significa isso: confusão. 

Existe um vídeo bem antigo que circula antes até da popularização do Youtube que mostra os bastidores do Pride Shockwave de 2005, no último dia daquele ano, quando o Cachorro Louco venceu Ricardo Arona, defendendo o cinturão peso médio da organização. Enquanto se aquecia, Charles Bennett, conhecido como Krazy Horse, lutador mais  lembrado pelas presepadas do que pelos resultados, iniciou uma provocação com o time da Chute Boxe, com críticas voltadas a Wanderlei.

Depois de uma troca de gentilezas entre os dois, Krazy Horse acaba se desentendendo pra valer com Cristiano Marcello, integrante do time. A partir daí, os dois desenrolam uma briga, que acaba com o americano apagado em um triângulo ao som de mantras de apoio de apoio de Silva: “bota pra dormir, bota pra dormir”.  E assim foi feito. 

Corta pra 2016. 

O Pride “ressurge” como o nome Rizin Fighting Federation, com regras semelhantes, e Wanderlei, assim como alguns lutadores da época, são contratados. Eis que neste ano Silva e Krazy Horse voltaram a se desentender, conferindo ao evento um ar de nostalgia. Tudo aconteceu em setembro, ocasião que ambos estavam inscritos no torneio peso aberto do evento. Ao se encontrarem no saguão do hotel que estavam hospedados, os dois reviveram o passado. São dois vídeos. No primeiro, é possível ouvir Wanderlei dizendo, em inglês (já com tradução). “Vem cá, vem cá! Vamos conversar. Vamos fazer isso. Você sabe que eu posso fazer”, ao que o americano rebate: “Você sabe o que eu fiz. Você dormiu”. O que ele fez, segundo Horse, faz parte da lenda urbana do vale-tudo. Bennett garante que após acordar do triângulo de Cristiano Marcello nocauteou Silva. 

Em outro vídeo, após a luta no Rizin, quando venceu Minoru Kimura por nocaute, Horse aparece provocando Wanderlei, que está na plateia assistindo ao combate. Após o combate, o Cachorro Louco resolveu intimidar o americano no bakcstage, gerando a segunda parte da briga. No registro é possível ver Silva tentando chutar Horse, mas, novamente, a turma do deixa disso foi eficaz. 

Recordar é viver. De verdade. 


Foi provocar e se deu bem

Durante o treino aberto do Bellator 169, em Dublin, na Irlanda, em dezembro, o lutador da casa James Gallagher fez uma firula para promover a sua luta contra o americano Anthony Taylor. Entrou de porta adentro na academia SBG e saiu à caça do oponente. Quando encontrou o adversário, prontamente o empurrou, para a surpresa do próprio lutador e dos presentes. Prontamente, funcionários do Bellator trataram de encerrar a confusão forçada. Resultado do combate que ocorreu três dias depois: Gallagher venceu por finalização no terceiro round. O vídeo foi registrado pelo site Severe MMA. 


Bellator vs ex-funcionário

É muito comum funcionários demitidos saírem por aí falando das ex-empresas. E foi assim com o ex-lutador e ex-funcionário do Bellator, Zach Light. O ex- diretor de Desenvolvimento de Talentos move um processo contra a organização na Corte Superior de Los Angeles alegando que foi posto para fora por não concordar com práticas ilegais da franquia que incluem, segundo ele, exames médicos forjados para liberar atletas junto à comissões atléticas e lutas arranjadas, um esquema entre empresários e lutadores que teria lesado público, patrocinadores e anunciantes. As práticas teriam sido realizadas na gestão do ex-CEO Bjorn Rebney e o atual, Scott Coker. 

Nate Diaz vs fã de McGregor

Mesmo após a derrota para Conor McGregor no UFC 202, Nate Diaz arranjou força para brigar mais um pouquinho depois de 25 minutos em cima do octógono. Dessa vez, fora da área de luta. Ao passar pelo hall do Hotel MGM, ele revidou aos insultos proferidos por fãs do irlandês e foi tirar satisfação. 

https://vimeo.com/180589415

Senta a bota, digo, Botti 

Amizades e parceiros de treino não são propriamente muito duradouras no MMA. E foi assim com Matt Brown, lutador meio-médio do UFC, e o seu ex-treinador de jiu-jitsu, Rodrigo Botti. Por ocasião do UFC Curitiba, em maio, Botti conseguiu se aproximar de Brown e o agrediu nas dependências de um hotel onde os atletas do UFC 198 estavam hospedados. 

Após a ação, o brasileiro foi imobilizado por treinadores do atleta, e detido pela polícia na sequência. O desentendimento entre os dois teve início em 2015, quando Botti chegou a prestar queixa contra Matt à polícia americana sob acusação de agressão. O caso foi encerrado em três semanas.



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