Retrospectiva do MMA 2016 - atletas que partiram

Artur Dantas,

por Artur Dantas

Nem só de momentos esportivos alegres foram compostas as artes marciais. Em 2016, alguns lutadores acabaram partindo de forma natural, mas outros sucumbiram a acidentes ou ainda se envolveram em confusão longe dos tatames, com resultados trágicos. Confira abaixo. 

1 -  Kevin Ferguson, popularmente conhecido como Kimbo Slice, era o legítimo “Street Fighter”.  O lutador de 42 anos ganhou fama na internet por compor um grupo de lutadores de rua que filmava combates ilegais e disponibiliza na internet. O sucesso na web foi transferido para o mundo real, apesar da estreia tardia, aos 33 anos. No mixed marcial arts, Slice chegou a atuar nas duas principais franquias de MMA do mundo, o UFC e Bellator, tendo iniciado a carreira profissional do EliteXC. Entre a saída do UFC e a assinatura com o Bellator, Kimbo ainda fez carreira no boxe, conseguindo um cartel limpo de sete vitórias, sendo seis nocautes e apenas uma vitória por decisão unânime. 

Em junho deste ano, no entanto, o lutador foi internado às pressas com no Northwest Medical Center, em Margate, na Flórida, com fortes dores abdominais, náuseas e falhas respiratórias. Após exames, os médicos chegaram a conclusão que o quadro do atleta não era dos melhores: ele tinha um tumor no fígado e precisava de um transplante de coração. 

Entre os amigos, era conhecido com uma figura afável e expansiva, diferente da aparência da promoção das suas lutas.


2- Ryan Jimmo - Outra partida prematura ocorreu com o ex-atleta do UFC, Ryan Jimmo. Em junho, o lutador se envolveu em uma confusão em Alberta, no Canadá, ao sair da H2O, uma casa de shows. No estacionamento, Jimmo se desentendeu com dois homens e ao tentar tirar satisfação foi atropelado, socorrido em um hospital próximo mas não resistiu aos ferimentos. A polícia local agiu rápido e prendeu um homem identificado como Anthony Getschel, 23, por direção perigosa, negligência criminal e fugo do local do crime. Ainda foi detido como cúmplice Jordan Wagner, 21 anos. 

“The Big Deal" tinha feito a mais recente luta nas artes marciais mistas em maio de 2015 contra Francimar Bodão Barroso e perdeu por decisão unânime. No Ultimate, ele foi contratado em 2012 e fez sete lutas, sendo quatro derrotas e três vitórias nos meios-pesados. Em duas ocasiões ficou com o bônus da noite, incluindo os nocautes sobre Sean O’Connell e sobre Anthony Perosh, considerado um dos mais rápidos da história, aos sete segundos. Jimmo tinha um cartel de 19-5.


3 - Jordan Parsons - Outro caso envolvendo acidente automobilístico foi registrado com o então atleta do Bellator Jordan Parsons, de 25 anos. No dia 30 de março, ele voltava para casa a pé quando foi atropelado. O lutador da Blackzilians foi levado ao hospital próximo a Delray Beach, na Flórida, teve parte da perna direita amputada, e morreu três dias depois. 

Após seis dias de busca, a polícia local chegou ao suspeito. Dennis Wright, de 28 anos, natural de Boca Raton (Flórida). O carro que guiava, um Range Rover da mãe, estava com o lado do farol esquerdo avariado, tudo indica em decorrência da batida. O motorista já tinha tido a habilitação suspensa seis vezes.

O lutador (11-2) tinha luta marcada no Bellator 154, no dia 14 de maio, contra Adam Piccolotti, pela categoria dos penas. A última luta de Parsons tinha sido contra Bubba Jenkins, em novembro de 2015, quando perdeu por decisão dividida no Bellator 146.  A carreira profissional no MMA começou aos 19 anos, no Impact Fighting Championship. Em 2012, foi campeão do evento CFA, na categoria até 66 quilos. 


4 - Muhammad Ali - A partida mais sentida dos mundo das lutas não foi de um lutador ativo, mas do que é considerado por muitos um gênio do esporte. Muhammad Ali, o controverso boxeador peso pesado que lutou durante 32 anos contra o adversário mais implacável, o Mal de Parkinson, sucumbiu às complicações da doença em junho, aos 74 anos. Ali deixou um legado que foi além do esporte e que ficou marcado pelo ativismo e combate ao racismo em todas as instâncias. 


 5 - João Carvalho - Ainda no primeiro semestre, em abril, o português João “Rafeiro” Carvalho, de 28 anos, morreu após a terceira luta profissional de MMA, em Dublin, na Irlanda. Diante de Charlie Ward, companheiro de equipe do campeão dos leves do UFC, Conor McGregor, o lutador da Team Nóbrega foi nocauteado no terceiro round no evento Total Extreme Fighting (TEF), realizado no National Stadium, mas deixou a área de luta caminhando e falando normalmente. Dez minutos depois de encerrado o combate, Rafeiro passou mal, começou a vomitar e foi encaminhado ao hospital, onde morreu 48h depois de uma cirurgia cerebral. 


6- Kevin Randleman - Talvez a morte que mais tenha marcado 2016, ao lado da de Ali, tenha sido a de Kevin Randleman, lenda das artes marciais, conhecido pela força e explosão, e por ter realizado verdadeiras batalhas nas artes marciais mistas. O peso pesado, conhecido como “O Monstro” faleceu aos 44 anos, nos Estados Unidos, após ser internado em um hospital de San Diego com pneumonia, sofrendo, consequentemente, insuficiência cardíaca. 

No currículo, o americano acumulava vitórias surpreendentes sobre Mirko Cro Cop no Pride, por nocaute, quando o croata estava no auge, Renato Babalu Sobral, Pedro Rizzo e Murilo Ninja. Ainda no cartel, Kevin travou batalhas épicas contra Fedor Emilianenko, contra quem aplicou um dos mais plásticos suplês da história do MMA, Maurício Shogun, Randy Couture,  Bas Rutten, Carlão Barreto e Kazushi Sakuraba. 



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