Jiu-Jitsu nordestino: conheça alguns integrantes da arte suave fora do Brasil

Artur Dantas,

“Jiu-jitsu: linguagem universal das lutas e dificuldades”

Quantas vezes você já ouviu que vida de atleta não é fácil? E de atleta brasileiro que mora fora do Brasil? Então, esta é a realidade de milhares de atletas espalhados pelo mundo vivendo (ou tentando), viver de arte marcial, mais especificamente do jiu-jitsu. Bem cotado no mundo das lutas, aparecem os nordestinos. Muitos encontraram na América e Europa, sem contar nos Emirados Árabes, uma porta mais espaçosa para entrar no seleto grupo daqueles que conseguem viver de alguma forma apenas do esporte.

Abaixo, alguns dos exemplos de atletas que estão trilhando esse caminho milhares de quilômetros longe de casa. Todos os destacados , sem exceção, conseguiram subir no pódio no último final de semana, em competições nos Estados Unidos e Europa.

Uma delas é Janaína Maia. Faixa marrom da Gracie Humaitá, a cearense praticante de jiu-jitsu há seis anos, foi campeã no San Diego Open. Atualmente em preparação para o maior campeonato do mundo, o Mundial da IBJJF, Janaína deixou a terra natal e mora na própria San Diego, na Califórnia há 1 ano e três meses, período que teve de se adaptar a um novo país, nova língua.

O tempo distante a fez notar algumas diferenças em relação ao Brasil. “A maior vantagem é a valorização que nós atletas temos aqui. A segurança, educação, a vantagem de aprender inglês… sabemos que a evolução é constante todos os dias. Em relação à evolução do meu jiu-jitsu, só tenho gratidão às pessoas que estão ao meu lado. Cada dia é uma evolução. Posso falar, sim, que eu evolui muito nesse pouco tempo que estou aqui. Meu jiu-jitsu hoje está mais sólido”, destacou.

Mesmo com boas perspectivas na América, Janaína deixou transparecer qual a maior dificuldade que sente em morar longe de casa. “Não vejo desvantagem em morar aqui, mas o que mais dói é a saudade das pessoas que deixei no Brasil. Minha família e amigos”.

Dentre os títulos mais importantes da carreira da atleta estão os ouros no Pan Americano da IBJJF, BJJ Pro Los Angeles, San Diego Open, Grand Slam UAEJJF e um 2º Mundial Absoluto IBJJF.

Também residente nos Estados Unidos, Maxwell Trindade foi outro que trilhou um caminho mais sólido no jiu-jitsu desde que deixou o Rio Grande do Norte, no final de 2018, para viver ao lado da esposa em Las Vegas, Nevada. Também no último final de semana, Maxwell foi double gold em San Diego, categoria e absoluto, vencendo o campeão panamericano da meio pesado e superando o vice-campeão Panamericano da pesado na final.


Faixa marrom recém-graduado pelo mestre Jair Lourenço, da Kimura (Rio Grande do Norte), hoje treinando na Drysdale, em Las Vegas, Maxwell declarou que a mudança de ares foi necessária para dar um “up” na carreira. “Vim buscar evoluir como atleta porque, apesar de o jiu-jitsu ter ganhado corpo no Brasil, na América os atletas são reconhecidos, respeitados… aqui conseguimos patrocínios que acabam ajudando muito na nossa caminhada. Claro que nem tudo são flores. Ainda estou me adaptando à língua, aos costumes, mas estes são detalhes que já sabia que teria que superar. Hoje, noto uma evolução muito grande no meu jogo, é tanto que fui campeão categoria nos últimos cinco eventos que participei. Ou seja, as mudanças e adequações foram necessários para que eu continue com meu sonho de viver exclusivamente do jiu-jitsu, algo que idealizei na adolescência quando comecei a praticar a arte suave e que hoje vejo muito perto de se concretizar de fato aqui nos Estados Unidos, uma terra acolhedora que me recebeu muito bem”, disse.

Outro brasileiro que se destaca internacionalmente com uma carreira forte nos jiu-jitsu é Roosevelt Sousa, da Paraíba. O faixa marrom foi campeão no San Diego Open, e está nos Estados Unidos se preparando para o mundial da Califórnia, evento que reúne os melhores atletas da arte suave do mundo.

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Neste ano, Roosevelt iniciou a preparação para o Mundial bem antes, desde 2018, após ter perdido na primeira luta “decidida por detalhes”.

Obstinado a viver da arte marcial, o paraibano falou um pouco das dificuldades que enfrentou e enfrenta para competir em alto nível. “As minhas maiores dificuldades eu enfrentei no Brasil, você trabalha muito, busca apoio mas o retorno é mínimo. Para conseguir comprar a passagem para os EUA esse ano tive que vender água na rua. Como já fiz outros anos para poder custear outras competições como o World Pro (Abu Dhabi), aqui nos EUA não é fácil também, mas há varias oportunidades para você conseguir dinheiro para investir nas competições, como por exemplo, trabalhar em eventos de jiu jitsu. Você pode pagar a inscrição de um evento trabalhando no campeonato”, comentou.

Dentre os títulos mais importantes da carreira estão o bicampeonato do World Pro, 2x campeão Brasileiro pela CBJJ, Campeão Sul-americano IBJJF.

Lucas Dantas, outro potiguar que reside nos Estados Unidos, também migrou há pouco tempo para a América para poder tornar real o sonho de viver do jiu-jitsu. Longe de Natal há seis meses, o faixa preta da Kimura ressaltou quais as vantagens de morar nos Estados Unidos. “Aqui estou perto do Mundial e do PanAmericano. Sim, também estou tomando suplemento (risos)”. Morar aqui é um pouco complicado por causa da distância da família, mas você acaba direcionando isso e ficando mais focado nos treinos”, disse.

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Campeão no Paris Open no último final de semana, Luquinhas, que tem entre os títulos mais importantes um Mundial e um Brasileiro, pratica jiu-jitsu há 15 anos, e antes de morar nos Estados Unidos já viveu algumas temporadas fora do Brasil, com foco na Europa.

Outros nordestinos notáveis vivendo fora do Brasil

Thiago Barreto (Abu Dhabi)

Bruno Barreto (Abu Dhabi)

Jefthe Alexandre (Abu Dhabi)

Pablo Aragão (Abu Dhabi)

Gilmário Rafael (Abu Dhabi)

Priscila Assunção (Abu Dhabi)

Horlando Monteiro (Estados Unidos)

Mathias e Matheus Luna (Estados Unidos)

Ítalo Lima (Estados Unidos)

Lucas Protásio (Estados Unidos)

Diego Sem Noção Ramalho (Estados Unidos)

Gabriel Sousa (Estados Unidos)

João Ramos (França)

Bruno “Alminha” Moreno (Nova Caledônia)


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