Árbitros brasileiros criticam juiz central na luta de Maldonado e Fedor

Artur Dantas,

Foto: montagem a partir de arquivos pessoais dos árbitros
Fábio Maldonado fazia uma apresentação com sobras diante de Fedor Emilianenko no primeiro round da luta principal do Eurasia Fight Nights 50, realizado em São Petersburgo, na Rússia, depois de acertar dois cruzados e quase nocautear o russo. Quando a luta transcorria em pé novamente, um outro soco do brasileiro fez voar o protetor bucal do “Último Imperador”, recolocado pelo árbitro central após interrupção breve do combate a 34 segundos do fim quando Maldonado atacava o oponente na curta distância. 

A intervenção, no entanto, foi questionada por árbitros brasileiros. Roberto Thomaz, o Robertão, que mediou mais de 1500 combates em duas décadas, foi um deles.  “Coquilha, shorts e protetor de boca são equipamentos pessoais. O árbitro  não tem que pegar protetor e repor, apenas pode indicar que o lutador o recoloque”, disse Robertão ao Por Dentro da Arena. "Além disso, ele deve indicar e pedir tempo à mesa de cronometragem para mostrar o protetor ao lutador. Porém, deve ser em um momento oportuno, sem ataques”, disse. 


Na visão de Robertão, Fedor acabou sendo favorecido pelo erro do central: “Óbvio que o árbitro russo foi parcial e pecou no quesito conhecimento. Não resta dúvida… foi TKO e ele não quis parar a luta. Errou feio o árbitro e mais feio ainda os laterais que não deram 10x8 no primeiro round”, observou Thomaz, que assistiu ao evento completo e classificou a atuação dos demais juizes como “um show de bizarrices” também por causa da interrupção precoce que culminou com a derrota do brasileiro Dioginis “Overeem” Souza, nocauteado por Rasul Mirzaev.


Cezani Moutinho, árbitro oficial do XFC e membro da Confederação Nacional de MMA e Conselho Mundial de MMA, também criticou não só o desempenho do central como o corpo de árbitros de uma forma geral. “Observando a arbitragem do evento como um todo eu achei muito despreparada e desqualificada. Vi uma série de erros amadores, não tem com simpatizar uma arbitragem que muda de critérios, ou melhor, não tem um critério definido principalmente quando seus lutadores enfrentam os de outros países lutando em casa (na Rússia)”.


Para Moutinho, outra explicação pode ser dada para a decisão do árbitro. “O patriotismo exagerado termina estragando e apagando o brilho do que poderia ser um grande evento. Foi uma bela luta, uma das melhores atuações de Maldonado. Percebi que faltando pouco menos que 35 segundos para acabar o round, o brasileiro abriu uma vantagem quase nocauteando Fedor numa sequência de fortes golpes na linha de cintura (hooks) e no queixo (uppers). Indevidamente o árbitro para por segundos para colocar o protetor bucal do Fedor. Em minha humilde análise ele errou, demonstrou muita insegurança, ficou nervoso, pareceu ser fã do Fedor. O certo seria esperar esfriar a investida do atleta que estivesse no ataque na luta para entregar o protetor bucal ao seu dono. Achei muita fraca a atuação desse árbitro”, afirmou.

Tags: árbitros: Robertão Thomaz; Cezani Moutinho; Fedor Emilianenko; Fábio Maldonado
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