Carnaval com crianças: como manter rotinas e respeitar a sensibilidade auditiva

Gerlane Lima,

gePara crianças com muita sensibilidade auditiva e apego a rotinas, como as autistas, o carnaval pode ser um período difícil e até se tornar um pesadelo. Excesso de barulho, feriado longo, viagens: tudo isso precisa ser levado em conta pelas famílias na hora de planejar os dias de folia.

Seja descansando, viajando ou indo pro bloco, é preciso alguns cuidados para que a rotina das crianças não seja quebrada de forma tão inesperada e brusca. O psicólogo Gleison Souza e a terapeuta ocupacional Vanessa Maia, do Núcleo Desenvolve, dão algumas dicas e orientações para o período.

No caso das famílias que vão viajar, um exercício que funciona bem é mostrar às crianças, antes, o passo a passo, com figuras e vídeos. "Isso vai criando uma rotina visual, dando uma ideia do que vão encontrar no deslocamento e no destino", explica Gleison. Para ele, não se deve fazer surpresas no estilo: acordamos, vamos viajar! "O ideal é trabalhar com elas pequenas quebras de rotina antes de uma grande quebra como o carnaval".

Sensibilidade auditiva

Para determinadas crianças, como as autistas, alguns barulhos que para outras pessoas são "normais" se tornam insuportáveis e dolorosos. O ideal é tentar prepará-las e explicar o contexto da situação, tentando precaver possíveis surpresas sonoras e mostrando que o barulho uma hora acabará.

"Se estamos falando de uma situação que não faz parte da rotina da criança, prepare-a para o que vai acontecer, de forma gradativa: a fantasia que irá usar, a música que irá ouvir, a multidão que irá enfrentar, os confetes, serpentinas e até a pintura no rosto", orienta Vanessa.

Uma dica, segundo a terapeuta, é ir apresentando músicas em baixo volume, antes do carnaval, e aos poucos aumentando, de forma explicada. "Desta maneira, a criança vai se familiarizando com a música e com o som", diz. "Jamais devemos levá-la a uma festa sem prepará-la para o que irá ver, ouvir e sentir".

Vanessa também ressalta a importância de respeitar os limites de cada criança. "Haverá as que vão suportar ir e permanecer um pouco no bailinho de carnaval, mas também as que não", explica. Outra dica é levar objetos de conforto, como brinquedos que ela goste e a faça se sentir mais segura. "Também vale usar fones de ouvidos, quando aceitos".

Brincadeiras

Dependendo do ambiente, há uma diversidade de brincadeiras que podem ser feitas durante os dias de descanso ou folia. "As atividades devem ser compreensíveis, sem complexidade, de fácil manejo", orienta Gleison. "A bola é uma boa, por exemplo, assim como a bolha de sabão, os jogos de causa e efeito".

Vanessa também lembra que as atividades ligadas às artes são outras opções indicadas. "Além de trabalhar os aspectos cognitivos, são prazerosas, tranquilas e podem ser inseridas no contexto do carnaval", destaca. "Registrar tudo através de fotos e vídeos e depois vê-los com a criança será um momento único".

Tags: auditiva Gleison Souza sensibilidade
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