ABA: terapia auxilia na busca de uma melhor comunicação

Gerlane Lima,

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A comunicação é um processo social primário, baseado na troca de informações entre dois ou mais interlocutores. O processo é tido como concluído quando o conteúdo fica inteligível para todos os participantes do processo. Uma pessoa não verbal pode não falar, mas ela tem todo potencial para se comunicar. Descobrir a melhor forma de fazer essa comunicação virar realidade é um dos grandes desafios para os profissionais que trabalham com pessoas inseridas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou que apresentem dificuldades vinculadas ao transtorno do desenvolvimento.

A fonoaudiologia chega como uma terapia de extrema importância para esses pacientes, e as constantes inovações na área aparecem como aceleradores no processo da comunicação. Aliar as sessões de fonoaudiologia à Terapia de Análise do Comportamento Aplicada (ABA), por exemplo, tem sido um importante suporte para diversas famílias. Por isso, alguns profissionais da área estão ampliando as bases de conhecimento e se tornando também Analistas do Comportamento. Tudo para trazer aos pacientes os melhores resultados. Um exemplo disso é de Ayla Messias, que atua na Clínica Focus Intervenção.

“Quando unimos a fonoaudiologia à Terapia de Análise do Comportamento Aplicada, avaliamos a criança, elaboramos um planejamento de intervenção individualizado no qual selecionamos  os objetivos  a serem trabalhados - no nosso caso, em comunicação e linguagem. Após isso, verificamos as respostas apresentadas. Assim, podemos acompanhar os déficits e a evolução de cada criança, e reavaliar esse planejamento periodicamente. Esse procedimento não substitui outras áreas abordadas na terapia ABA, que trabalha as demais habilidades comportamentais demandadas pelo paciente”, explicou a fonoaudióloga.

É importante enfatizar que a frequência e a consistência do trabalho proporcionarão um resultado mais expressivo ao tratamento. Aliado a isso, a terapia ABA oferece um atendimento interdisciplinar, trazendo ao paciente ainda mais benefícios. “O trabalho interdisciplinar é fundamental para a evolução do paciente. A terapia embasada na analise do comportamento sugere muitas horas de sessões semanais, o que contempla o trabalho de todos os analistas do comportamento, ou seja, não só a fono, mas todos os outros profissionais. Dentro disso, a fono vai distribuir sua carga horária, dependendo do nível de comprometimento do paciente, e os outros profissionais farão o mesmo, oferecendo o suporte necessário”, falou.

A fonoaudióloga lembra ainda que o ABA não é uma metodologia, ou um método. É uma prática baseada em evidências, uma ciência bastante eficaz quando o assunto é estimulação de comunicação, linguagem, interação social, dentre outras dificuldades vinculadas ao transtorno do desenvolvimento. “Aplicamos o PECS, que é um sistema de comunicação alternativa por troca de figuras, muito utilizado por crianças que ainda não adquiriram a fala. Também usamos o método PROMPT, que é voltado para crianças com dificuldade na articulação da fala, é uma terapia para apraxia de fala na infância”, contou Ayla, quando questionada sobre quais os tratamentos mais indicados no momento.

A tecnologia também está à favor da comunicação. Aplicativos que traduzem pensamentos estão trazendo à sociedade uma voz que por muito tempo ficou calada. Um desses aplicativos utilizados na terapia é o Go Talk, que em tradução para o português seria: “Vamos Falar”. “Esse aplicativo, que pode ser usado em dispositivos eletrônicos, como Tablets, traduz para um comando de voz os símbolos ou imagens que são tocados pelo usuário. Ele possibilita que a criança faça pedidos, responda perguntas, elabore frases, ou seja, permite que a criança não verbal vocal se comunique por meio dessa ferramenta tecnológica, que contribui na evolução do aprendizado”, finalizou.

Tags: Autista TEA
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