Os caminhos do Elefante na MPB

Nicolau Frederico,

Ele sempre me cobra a divulgação neste Espaço MPB sobre os músicos, compositores, cantores e artistas da música popular do Rio Grande do Norte. Pois agora chegou a vez!  

O potiguar José Dias Júnior, mais conhecido aqui em Natal como "Zé Dias", completa 20 anos como produtor cultural e musical. Para comemorar, lança mais um de seus projetos musicais, desta feita estritamente com músicos, compositores e estilos musicais dos mais diversos em nossa MPB.

É o "Caminhos do Elefante na MPB". O mapa do estado do Rio Grande do Norte tem o formato de um elefante! Mesmo atarefado, o produtor Zé Dias atendeu nosso pedido e respondeu as perguntas que encaminhamos para esta entrevista ao "Espaço MPB".
 
Espaço MPB - Zé, você inicia 2015 com mais um de seus projetos. O projeto “Caminhos do Elefante na MPB” pega algum gancho em outros de seus projetos culturais e musicais? Ou difere dos demais? Em quê aspectos? Vai virar também um livro?

José Dias Junior A diferença básica é que nós contaremos a nossa história na Música Popular Brasileira. Seremos os Protagonistas. O "Seis e Meia" tinha a atração nacional e o artista local, tinha uma forma de mostrar o seu Trabalho. Agora não, contaremos a nossa história. Pode até pintar um livro, mas num primeiro momento, não.

Espaço MPB - Por quê “Caminhos do Elefante na MPB”? Qual a contribuição de cantores, músicos e compositores potiguares na história de nossa MPB?

José Dias Júnior - Se pegarmos os vários momentos da MPB, estamos inseridos e não contamos esta história. Se perguntarem sobre se temos um ritmo, temos CHICO ANTONIO e seu COCO, descoberto por Mário de Andrade no final dos anos 20. Se participamos dos outros movimentos, poderíamos observar o "Choro" com Ademilde e K-Ximbinho; o "Samba Sincopado" que levou a "Bossa Nova" com Raymundo Olavo e Hianto de Almeida; se vislumbrarmos os grandes "Trios Vocais do Brasil", teríamos o Trio Iraquitan e o Trio Maraya; se caminharmos para as grandes "Cantoras do Rádio", oferecemos ao Brasil, Núbia Lafayette; na "Jovem Guarda", Leno; na "música regional", Elino Julião e Severino Ramos e nos "Festivais", tivemos uma produção local de altíssimo nível, com destaque para Mirabô e Terezinha de Jesus, artistas que foram na leva dos nordestino dos anos 70, incluindo-se ai o Flor de Cactus. Fomos engolidos nos anos 80, como toda música popular brasileira, ressurgindo com o "Projeto Seis e Meia", nos anos 90 até os dias de hoje, com artistas como Quarteto Linha, Khrystal, Rosa de Pedra, Isaque Galvão Carlos Zens e Lis Rosa, participando de programas a nível nacional. Temos que contar isto.

Espaço MPB - A "Bossa Nova" teve mesmo influência de algum(a) compositor(a), músico(musicista) ou cantor(a) potiguar? Se teve, qual a importância deles(delas)? Algum(a) especial?

José Dias Júnior - Teve em Raymundo Olavo, ídolo de João Gilberto no "Samba Sincopado" e a presença de Hianto de Almeida, que foi gravado por quase todos os nomes do movimento, com destaque para primeira gravação solo de João Gilberto/52, primeiro arranjo de Tom Jobim/55 e primeira citação da palavra "Bossa Nova/55". Estávamos na frente.

Espaço MPB - Zé, você sempre foi uma referência potiguar para assuntos relacionados à MPB e à música regional e nordestina no RN. Quando começou o seu interesse neste assunto? Conte um pouco esta história de sua vida.

José Dias Júnior - Rapaz, fui ver! Estou completando 20 anos de PRODUÇÃO MUSICAL. Desde o "Seis e Meia", em 95, passando pelo "NATAL EM CANTO", no final dos anos 90 e caminhando para uma produção de boa música, com projetos em shoppings centers da cidade. Produzi 5 discos e continuo a servir a música de meu país e hoje mais focado em meu estado.

Espaço MPB - Um de seus projetos que acompanhei de perto foi o “Seis & Meia” no Teatro Alberto Maranhão (TAM). Fiquei sabendo que o novo diretor do TAM pretende resgatá-lo. O que você pensa da proposta? Guarda algum mágoa das últimas tentativas desse Projeto?

José Dias Júnior - Desejo boa sorte a quem vai fazer e mágoa nenhuma. Quando fiz, foi um sucesso. Uma  referência para o Brasil.

Espaço MPB - Fale um pouco sobre como  você analisa o atual momento cultural e musical no RN e sua expectativa? Sobre os equipamentos (teatros, auditórios e locais públicos, praças) para apresentação dos shows, artistas, compositores e músicos disponíveis e incentivos governamentais e privados.   

José Dias Júnior - Gosto da produção musical do estado. Gosto dos equipamentos, temos bons secretários de Cultura, tanto no município, quanto no estado e acho que caminhamos para EDITAIS e LEIS de INCENTIVO. O mercado daqui não é diferente do resto do Brasil. Fomos engolidos pelo "show business", de péssima qualidade e temos que sobreviver. Este é o Caminho. Precisamos é ter uma ATITUDE POLÍTICA melhor!

Antes de terminar, não poderia deixar de registrar a grande contribuição à MPB dessa cantora potiguar, nos seus mais de 50 anos de carreira: Glorinha de Oliveira, que o "velho Chateau" chamava de "Rouxinol potiguar"! Outro também que fica nesta galeria é o cantor Gilliardi

Ia fechando esta matéria, quando recebo uma mensagem pelo MSN do amigo Zé Dias. Gostei tanto que vou reproduzir aqui:

"Respondi o Email. Veja. Se eu e você pegássemos uma Van no nosso imaginário e convocássemos ADEMILDE para vir de Macaiba até o Nordestão de Igapó. Lá, ela entraria e sairíamos pegando Raymundo Olavo em MARACAJAU, K-XIMBINHO em Taipu e chegaríamos a Macau, onde Hianto de Almeida entraria. Em 180 km, teríamos mudado a história da MPB com o CHORO, O SAMBA SINCOPADO e sinalizaríamos para a Bossa Nova. É mole! Quinta, tem os Caminhos do Elefante na MPB. 20:30 horas. Ingressos a R$ 40,00 e R$ 20,00."

Este é o nosso Zé Dias! Estilo simples, direto e humano! Grande empreendedor de nossa música potiguar! Sucesso, caro Zé!

Para acompanhar todas as novidades e agenda do projeto curtam a FanPage do projeto "Caminhos do Elefante na MPB" e fiquem de olho!


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