O renascer do Beco das Garrafas

Nicolau Frederico,

Em julho (11) de 2013 publiquei em meu blog o artigo “Beco das Garrafas: aqui começou a bossa nova”. Bateu uma saudade e lembrei-me daquele local histórico.

Onde fui encontrar a informação? Fuçando a rede mundial, encontrei um site carioca que relembra tudo. Acessei o site oficial de um grupo denominado Copacabana.com . Lá, encontrei as origens e as histórias do Beco das Garrafas e o início da Bossa Nova nas noites cariocas.

O nome Beco das Garrafas decorreu da seguida prática dos moradores dos edifícios em torno, de jogar garrafas nos frequentadores das boates lá em baixo, e, por ser uma rua estreita e sem saída. Foi batizado por Sérgio Porto inicialmente como Beco das Garrafadas, reduzido mais tarde para Beco das Garrafas. Não muito longe dali, também em Copacabana, o Bossa Três – Os Reis do Ritmo – Bossa Três, formado pelo pianista Luís Carlos Vinhas – Samba da Benção – Jobim, Vinicius, Baden, Menescal, Lyra… and All the Others, o baterista Edison “Maluco” Machado Edison Machado e o baixista Tião Netto incendiavam as noites do restaurante Au Bon Gourmet. Eles não foram muito bem-recebidos. A conservadora classe política que frequentava o Bon Gourmet  não gostou da maneira ousada que o trio tocava samba – queriam é ouvir Nelson Gonçalves  cantar samba-canção. Resultado: na mesma hora em que eles foram demitidos eu contratei o trio para tocar no Little Club.”, lembra Alberico Campana, um dos proprietários das duas boates, ao lado de seu irmão Giovanni Campana.

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E Campana acrescenta que “em seus pequenos espaços, abrigavam pocket-shows assinados com criatividade pela dupla Miele e Bôscoli (Ronaldo Bôscoli), responsáveis pela direção, pelo som e pela iluminação, seu lema era “Dê-nos um elevador e nós lhe daremos um espetáculo”. Além dos musicais noturnos, havia também as matinês de domingo, que reuniam músicos amadores e profissionais.” O Beco das Garrafas, abrigou, nos anos 1960, o melhor da bossa nova instrumental.

O Beco renasce

Pois bem, o Beco das Garrafas renasce agora em 2014, passados 50 anos depois do primeiro show de Elis Regina no Rio de Janeiro, quando chegou ao Bottle´s direto de Porto Alegre. Depois de algumas semanas de êxtase, foi demitida por Roberto Jorge, um dos diretores do show, por faltar demais às apresentações.

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De lá, foi contratada para o vizinho Little Club a convite da dupla Mièle e Bôscoli, mas, novamente, receberia o cartão vermelho assim que Bôscoli descobrisse que Elis estava faltando para cantar em outros lugares. O fato é que a cantora começava a ficar grande demais para os pubs do Rio. E São Paulo, onde ela se tornaria um estrondo nacional, já a assediava com vontade.

A produtora Amanda Bravo, filha do lendário Durval Ferreira, compositor, produtor e autor de clássicos da bossa nova como "Batida Diferente", ele mesmo um frequentador do Beco, ativou o empresário Sérgio De Martino (que é o proprietário dos imóveis onde ficam o Bacará e o Botlle’s Bar) e no "peito e na raça", reabriram a casa.

Firmaram um patrocínio com uma marca de cerveja que bancou uma reforma, e que abriu em setembro de 2014 com diversos shows numa programação composta por artistas e bandas do novo cenário da música brasileira. “Quero permitir o encontro da nova com a velha geração, gente que já passou pelo Beco e artistas recentes.”, afirma Amanda.

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Conheça mais e fique por dentro da programação do Beco das Garrafas, acessando o  site oficial aqui

Fique com o depoimento sobre o Beco das Garrafas e os shows que lá aconteciam pelo músico, compositor e produtor Roberto Menescal. Nas décadas de 50/60 ele por lá andou e sabe das coisas.


Com informações do site Copacabana.com, Agência Estado e Bottle´s Bar

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