Bossa Nova na telinha - Som Brasil

Nicolau Frederico,

Na próxima sexta-feira (28) tem SOM BRASIL Bossa Nova na telinha da Globo.

A cantora pernambucana, Andrea Amorim, abre o programa cantando a música "Rio" (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), ao lado do mestre Menescal!

Tem também os músicos e cantores Celso Fonseca, Georgeana Bonow, Tibless Machado, Daíra Saboia, Alaíde Costa, Leo Gandelman, Bebossa e Cris Delanno!

Anote em sua agenda cultural!



Roberto Menescal de bem com a vida - 55 anos de carreira

Nicolau Frederico,

Nicolau – Vamos falar agora dos 55 anos da carreira de Roberto Menescal e dos seus 76 anos chegando.

Menescal - Olha, a minha vida é essa que você conhece muito bem. Estou este ano com o projeto comemorativo a esses 55 anos de carreira, fazendo durante dez meses, uma vez por mês, mas com dois shows no mesmo dia no Miranda, sempre no começo do mês. Já fiz cinco desses shows e em outubro encerro a série. Sempre levo comigo alguém que trabalhou comigo durante esses anos. Essa parceria rende muito no palco. Por exemplo, eu fiz com “Os Cariocas” e a Joyce e ela entra como se fizesse parte daquele grupo vocal.

Nicolau – Nesta série teve a grande perda de seu amigo, que você produziu, o Emilio Santiago, não?

Menescal É, o caso do Emilio foi interessante. Ele gravou um mês antes de fazer o show comigo. Falei então para o pessoal que eu tinha uma ideia: levar a voz do Emilio e a orquestra acompanhar ao vivo. O público ficou emocionado quando ele cantou uma música minha “Amanhecendo”. O Emilio para mim continua sendo “a voz do Brasil”.

Nicolau -  O ano passado ele também fez um show contigo, no projeto “Entrelinhas com Menescal”, em comemoração aos seus 75 anos, não?

MenescalSim, em novembro ele participou desse projeto, que reuniu diversos artistas que trabalharam comigo. A primeira dupla foi Erasmo e Fernanda Takai, unindo um veterano e uma da nova geração do rock; seguidos de BeBossa, Wanda Sá e Osvaldo Montenegro, que eu disse para eles que não fariam nenhum ensaio e eles iriam se conhecer no palco; e um terceiro, foi o Emilio e a Alcione, dois artistas que contratei quando era diretor artístico da gravadora PolyGram. Este último foi uma loucura. Todo mundo queria ir ao show, me ligava e eu me escondi, porque não tinha mais lugar. Havia lotado há um mês antes!

Nicolau – Nesta sua história de vida eu sei que tinha um cara que você gostava muito dele e que a gente tem muita saudade dele: Pery Ribeiro.

MenescalPery Ribeiro... ele não conseguiu esperar um pouco para fazer este show comigo. O Pery foi uma figura que eu me lembro da primeira gravação dele, que agora não me vem o nome, mas eu me lembro de um pedaço da letra que dizia assim, mas que você não deve conhecer: “Há dentro em mim no peito uma dor escondida...” Ele tinha a minha idade nesta época (Pery era um ano mais velho que eu). E eu fui chamado para gravar com ele e levamos o Luiz Carlos Vinhas e uma cantora Clemence para fazermos o vocal com o Pery. E esta foi uma das primeiras gravações minhas. Depois fizemos muita coisa junto e ele gravou muita música minha.

Nicolau – E o ano passado você fez o show aqui no Teatro Riachuelo em homenagem ao Pery ...

MenescalEle como era um cara muito atento, ele gravou o “Barquinho”, que eu não sei quem gravou primeiro, pois saíram juntos Pery, Maysa e Joãozinho Nogueira. Eu acho que “Garota de Ipanema” foi ele o primeiro a gravar.

Nicolau – Bom, na primeira e única entrevista que fiz com Pery, ele me contou que de fato ele gravou, naqueles gravadores portáteis da época, o Tom e o Vinicius cantando e tocando “Garota de Ipanema” e levou para o maestro Panicalli, que imediatamente gravou com ele e mandou para as rádios. Só depois, foram pedir autorização ao Tom e Vinicius. Este fato inclusive o jornalista e escritor Ruy Castro conta na Coleção Folha 50 Anos da Bossa Nova.

MenescalPorque ele era um cara atento e sempre estava buscando novidades. 

Nicolau - Menescal, fico-lhe grato pela entrevista e deixo este "Espaço MPB" para suas despedidas.

Menescal - Morei aqui até os três anos de idade, na cidade de Macau e em Mossoró, onde tem um hospital em nome de meu pai. Meu pai, que era diretor de uma companhia de navegação, contava uma história que Lampião mandou um cara dizer na cidade que ele nem ia entrar e que deixassem na rua todo objeto de valor e que ele mandaria catar. O povo reuniu quem tinha armas e foi para a igreja resistir. Aí ele deu alguns tiros e foi embora dizendo: “Não vale a pena não, é muito pobre!” Aos amigos de seu blog eu digo que aqui na terra tá ficando muito bom. Tem o lado negativo, mas, puxa, tá ficando muito bom. Cada dia que passa tá melhor e a gente tem é de ficar ligado naquilo que é possível. Talvez dez anos atrás você não tivesse a informação que você tem hoje. Tem coisa que antes que eu saiba, você já publica e eu ficou sabendo pelo seu blog. Então, fiquem atentos que tem muita coisa acontecendo e vocês tem aqui uma fonte de informação muito legal, até melhor do que a nossa lá no Rio (de Janeiro).

Com esta parte, encerro a série "Roberto Menescal de bem com a vida", resultado de uma longa entrevista exclusiva de 2 horas que o músico, compositor e produtor musical concedeu a este "Espaço MPB".

A série mereceu destaque em Especial que publico na edição desta quinta-feira (20) no Jornal de Hoje, uma deferência especial dos diretores e jornalistas Marcos Aurélio de Sá e Silvia de Sá a este jornalista e ao portal Nominuto.com.

Obrigado a todos!

 


Roberto Menescal de bem com a vida - Stacey Kent

Nicolau Frederico,

Nicolau – Menescal, sei também que o seu trabalho é divulgado e solicitado no mundo todo, passando pelos Estados Unidos, Europa e Ásia, por onde você leva sempre a nossa MPB, em especial a Bossa Nova. Recentemente, surgiu uma cantora inglesa que sempre lhe requisita e que você pediu minha atenção: Stacey Kent.

MenescalEla é uma coisa maravilhosa. Eu posso curtir mais ela do que você, porque a conheço pessoalmente. Ela canta maravilhosamente bem, mas pessoalmente é uma coisa que você não pode imaginar. É de uma doçura, de uma suavidade ... a vida tem dessas coisas. Eu nunca pensei encontrar e conhecer a Stacey. Estamos juntos, vamos gravar um disco agora em Londres e é um grande sonho para mim. Mais uma vez eu passo lá no espelho e dou uma risadinha e a vida trazendo sempre uma coisa boa, o tempo todo.

Nicolau – Pode sair daí algum show?

MenescalCertamente a Stacey vai querer divulgar o CD que a gente vai gravar e fazer alguma temporada. Mas, eu combinei com ela que queria respeitar o primeiro contato dela, que foi feito com o Marcos Vale. Que eles lançassem o CD e fizessem este ano a série de shows. Eu assisti o show deles e foi maravilhoso, uma das melhores coisas que eu assisti. Então eu disse a ela que eu vou ficar quietinho. Mas, no ano que vem, eu entro, né (rsrsrsrs). A gente já está combinado fazer uma série de shows juntos.
 
Nicolau – Falando nisso, já chegou ou você já sente estas coisas para o próximo ano?

MenescalFicam me perguntando: “Menescal, e o ano que vem?” e eu respondo: “Deixa, que vem, que vem, aliás já está vindo. Vai chegar, tenho certeza!” Olha, vou te dar em primeira mão. Eu fiz em 1994 uma temporada de um ano com a Leila Pinheiro com o “Benção Bossa Nova” e depois o CD estourou com esta música. Ela me procurou agora e propôs a gente comemorar esses 20 anos em 2014. Eu disse: “Eu topo, né!” Minha produtora (Solange Kafury) já saiu e está fechando alguma coisa. Acho que a gente vai fazer por ai uns cem shows em vários locais, como a gente fez na época.

Nicolau – Não vamos esquecer de incluir Natal aí, não é?

MenescalSem dúvida, vai ter aqui também. Então, veja, de repente o ano que vem vai estar mais ou menos ocupado. Vamos fazer outras coisas também, mas já começa a chegar o que fazer em 2014. Tem também um show que vou te dar em primeira mão, que é aquele que eu fiz em 2012, o “Entrelinhas”. Nós vamos fazer no comecinho do ano com Fagner, Fafá de Belém, Ivan Lins, Leila Pinheiro, mas estamos ainda fechando a programação.

Que tal conhecer a cantora inglesa Stacey Kent, neste vídeo com Marcos Valle, na biblioteca do YouTube. Confira!


Roberto Menescal de bem com a vida - Andréa Amorim

Nicolau Frederico,

menescal_m11Nicolau Frederico – E a pernambucaninha, Andréa Amorim? Você havia também me chamado a atenção para ela: “Anote aí este nome, Andréa Amorim!”?

Roberto Menescal – Esta menina também é muito interessante. Eu fui a um festival em Garanhuns (PE) com a presença de mais de mil pessoas e no final vi um cartaz “Show, não percam, Paralamas de Sucesso”. Aí eu pensei comigo: “Puxa, vai ser uma loucura. Deve vir todo o Nordeste para ver!” E no mesmo cartaz estava: “Depois, Andréa Amorim”. Aí eu disse para mim mesmo: “Que loucura dessa pessoa, cantar depois do Paralamas!” Fui assistir à apresentação do “Paralamas” e fiquei para ver Andréa. Ela foi cantora lírica e de rock. Ela entrou e eu disse: “Impressionante esta mulher!”. Dois dias depois ela me ligou, pois havia um pernambucano que ouvira o meu comentário e ligara para ela. Ela me falou: “Que bacana, você me elogiou!” Eu disse: “Não, eu não te elogiei não. Falei que fiquei impressionado com a tua coragem, mas ainda não tive tempo de entender você.” E ela falou: “Ah, mas só de você ter dito isto! Posso de encontrar um dia?” Eu disse: “Claro, que pode, será o maior prazer!” Ela veio a São Paulo e depois a gente se encontrou e ela fez um convite meia empolgada assim: “Estou fazendo um disco e tem uma faixa que eu acho que ficaria muito legal com você. Você toparia?” Eu disse que sim e logo depois ela me mandou o material e eu gravei e devolvi para ela. Ela nem conhecia Recife, veja só. Veio a São Paulo e eu falei com um pessoal nos Estados Unidos que iria dar um prêmio e chamar ela. Ela foi e cantou lá, até com o Marcos Vale, e ganhou o prêmio. Um produtor japonês a viu e a convidou para ir ao Japão e lá fez 22 pequenos shows. Ele então perguntou se ela me conhecia e fez uma proposta, pois ele tinha uma companhia de discos: se ela fizesse um disco comigo, ele lançaria a gente lá e faria uma tournée pelo país. De lá mesmo, ela me escreveu e eu disse: “Vem, que eu já estou no estúdio!” Em três dias gravamos o disco, mandamos para o japonês e ele está lançando por lá e nós lançando aqui. Em setembro a gente vai fazer por lá uns dez a doze shows, divulgar o CD “Bossa de Alma Nova” e fazer um vídeo/dvd.

menescal_m22NF – No contato que tive com ela, mostrou-se muito grata a você por este apoio.

RM – Ela é uma pessoa muito legal. Você precisa ver a pessoa bacana que ela é. De uma delicadeza...

NF – Ela é mais uma artista que você ajudou a crescer na MPB ...

RM – Catequizei, né (rsrsrsrsrs). Aliás, a música daqui (do Nordeste) é muito rica em função dos jesuítas, que trouxeram aqueles cânticos gregorianos. A música daqui tem muito a raiz desses cânticos: “Roda pião, ode, ode ....” isso vem do gregoriano. E eu fui catequizando ela, dizendo para largar esse negócio aí (rock) e descobrir a nossa música. Ela me confessou que não conhecia e não tinha essa informação sobre este mundo da MPB.


Roberto Menescal de bem com a vida - Tom Jobim

Nicolau Frederico,

N – Recentemente a Folha de São Paulo lançou uma coleção “Tributo a Tom Jobim”, que vem somar aos dois filmes documentários de Nelson Pereira dos Santos, ao livro “Histórias de Canções: Tom Jobim” (Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira), à série de shows do Projeto Nívea Viva Tom Jobim e ao Instituto Tom Jobim (no Jardim Botânico, na cidade do Rio de Janeiro). Sabemos que em 2014, se completam vinte anos de sua perda. E como foi sua convivência com este grande maestro, músico e compositor?

M – O Tom é “sobre nós”! Para mim foi e continua sendo a grande figura da música popular brasileira. Ele foi muito generoso com esta geração da gente que veio quase dez anos depois dele, sempre nos ajudou sem dizer que estava nos ajudando. Ele nunca nos criticou, pelo contrário, ele dizia assim: “Ouvi uma música tua, “Rio”, gostei muito. Esgarcei ela quase toda!” Aí ele fazia: “Rio, maré mansa” e botava a letra “Por isso é que o meu Rio não era assim...” Aí eu perguntava a ele: “Como é Tom? Não é assim, mas vai ser assim.” Aí ele dizia que não queria modificar. Ele estava na verdade dando uma dica. Então, esta generosidade que ele tinha eu não conheço ninguém que a tivesse tido. O Tom foi o cara que me deixou uma marca muito grande. Eu estive semana passada no Instituto (Instituto Tom Jobim), lá no Jardim Botânico e falei com o Paulinho (Paulo Jobim, músico e filho de Tom Jobim): “Me deixa ficar um pouco andando sozinho por aqui...” Olha, fiquei muito feliz e emocionado e falei para mim mesmo que coisa bonita tudo isso, todo mundo tinha que conhecer e ver tudo aquilo. As pessoas não podem esquecer. Ali estavam os bilhetes escritos à mão: “Vinicius, você não acha bom isso aqui não? Vinicius, está coisa de “já botei o Cristo até demais. O que é isso? Nós precisamos respeitar.” E a resposta do Vinicius: “Ah, ah, ah!”

N – Os dois formaram uma dupla fantástica, não?

M – Sem dúvida nenhuma.

N – Agora o Tom tinha uns parceiros interessantes. Olha o caso do Newton Mendonça, por exemplo, não é Menescal?

M – É e tem gente que fala que o Newton se escondia. Eu conheci o Newton. Ele era aquele cara que não falava. O Tom, por sua vez, era expansivo, era brilhante. Quando abria a porta era aquele: “Oh!” Ele perguntava se o Newton estava e o Newton ficava num canto. São personalidades totalmente opostas. Um brilhava, mas o outro não queria brilhar. Mas as músicas deles foram feitas a quatro mãos. Na canção “Desafinado”, eles se entenderam perfeitamente. Ele foi o grande parceiro musical de Tom Jobim. Ninguém nunca escondeu ele. Era a sua personalidade. E morreu com 32 anos, muito cedo.


Roberto Menescal, de bem com a vida: livros e pocket shows

Nicolau Frederico,

menescal_m1Ele passa todo dia, pela manhã, frente ao espelho e dá uma risadinha. ”Mais uma vez eu passo lá no espelho e dou uma risadinha e a vida trazendo sempre uma coisa boa, o tempo todo.”

Estou falando do músico, compositor, produtor musical e “jardineiro” (que ele faz questão de incluir, em nome de suas 30 mil bromélias que cultiva em sua casa na Barra da Tijuca), Roberto Menescal. Capixaba de nascimento, mas carioca por adoção e de coração, ele esteve em Natal, a convite da cantora Camila Masiso, para participar do show ......., no Teatro Riachuelo, na quinta-feira (30). Aos 75 anos de idade e com 55 anos de carreira artística, Menescal, com a sua gentileza, simplicidade e cordialidade de sempre, concedeu uma longa entrevista exclusiva que este “Espaço MPB” do portal Nominuto.com divulga nesta série “Roberto Menescal, de bem com a vida”.

N – Menesca, mais uma vez você está aqui em Natal. É um prazer imenso recebe-lo aqui neste “Espaço MPB” no portal Nominuto.com. Sabemos que nesses cinquenta e cinco anos de carreira e mais da metade de sua existência a música popular brasileira está em seu sangue. Pelos dois livros já publicados, em parceria com a escritora e fotógrafa Bruna Fonte (O barquinho vai ... – 2010 e Essa tal de Bossa Nova – 2012), a gente pode perceber quem é Roberto Menescal. Fale um pouco sobre esses dois livros e como eles surgiram em sua vida. Você achou que chegou a hora de falar sobre sua vida e sua carreira musical?  
 
bossa_novaM – Não é que eu achei. As coisas vão aparecendo para mim. A minha vida tem sido assim. Eu não planejo nada e as coisas vão acontecendo nas horas certas. Eu já tinha recebido dois convites, mas eu achei meio esquisito o tipo de enfoque que queriam dar, tipo “vamos mostrar aquilo que era bom ...”. Ai em pensei: espera aí, o que era bom não, tudo foi bom neste trajeto e hoje está ótimo! Então, eu não queria voltar ao passado para falar daquilo que era bom e ir embora. A Bruna, que eu não conhecia (aliás, fingi que não conhecia, pois a gente havia se falado apenas pelo telefone) me ligou e falou quem era. Durante um ano ela me ligava às segundas-feiras e me entrevistava. Depois disso ela me disse: “Roberto, estou com o livro pronto! Agora, eu vou te mandar para você dar uma olhada e analisar.” Aí em falei: “Bruna, eu só tenho que te confessar uma coisa, eu não me lembro de você não!”. Aí ela respondeu: “Mas, como? A gente vem se falando há um ano!” Então eu falei para ela que lembrava, mas, na verdade, não me lembrava e disse que a gente tinha que se conhecer pessoalmente. Quando a vi pela primeira vez, notei que era uma menina. Pensei em perguntar a idade, mas logo soube que tinha 18 anos de idade. E o enfoque dela era o cotidiano da vida e eu gostei muito. Eu não modifiquei nada e foi muito bacana. Fizemos o lançamento em São Paulo, em Minas. Bom, depois continuei minha vida e depois de um ano, ela me disse: “Menescal, estava revirando minhas coisas e vi que muita coisa não entrou no livro. Se você topasse, mais uns três encontros nossos eu faria outro livro!” Aí eu disse: “Mas, não é muito não?” E ela disse: “Não, eu acho que a gente fez até ali e podemos falar a partir do ponto que terminamos no primeiro livro.” Fizemos mais uns três telefonemas e ela concluiu o segundo livro. Ela é danada! Achei muito bacana mesmo! Eu estou agora muito com esta coisa de gente jovem, dessa geração que está chegando. Veja aí a Camila (Masiso) mesmo, que é uma pessoa mais jovem e se interessou pela minha música. A Andrea Amorim, com quem produzi agora um CD (A Bossa de Alma Nova). É bem legal esta união de minha experiência de vida com a geração mais jovem.

menescal_m3N – E você tem na própria família, o Márcio Menescal, seu filho e músico do BossaCucaNova...

M – É a continuidade ... aliás, ele está fazendo um show daqui alguns dias no Miranda (casa de shows no Rio de Janeiro).

N – E os livros tem provocado sempre sua presença também em shows?

M - Sim, eu tenho feito muita apresentação em função dos livros. Tipo “pocket show”, que é um show mais íntimo, no qual toco as músicas e comento, interagindo com a participação do público. É muito legal.

N – Pois é, Menescal, a direção do portal Nominuto.com gostaria de convidá-lo e a jornalista/fotógrafa Bruna Fonte, para fazer um “pocket show” com o lançamento dos dois livros aqui em Natal. Você topa fazer?

M – Vamos fazer! Vou ver minha agenda e te aviso. Será um grande prazer.


Roberto Menescal de bem com a vida - centenários de nascimento de Vinicius e Dorival Caymmi

Nicolau Frederico,

dorival_m1Conforme falei em meu último post neste "Espaço MPB", esta semana publico uma série de temas que tratei com o amigo Roberto Menescal na entrevista exclusiva que ele me concedeu quando de sua recente visita a Natal, um dia após o seu show no Teatro Riachuelo, a convite da cantora potiguar Camila Masiso. Aqui, o mestre da Bossa Nova, Menesca, fala sobre a sua convivência com os compositores e músicos Vinicius de Moraes, que completaria 100 anos este ano, e Dorival Caymmi, que começa este ano a receber homenagens que serão encerradas em 2014, ano de seu centenário de nascimento.  

Nicolau – Roberto, este ano e no próximo a gente está sentindo que a música popular brasileira vive momentos de saudades e comemora o centenário de nascimento de dois grandes compositores que já nos deixaram, mas suas canções permaneceram: Vinicius de Moraes (1913) e Dorival Caymmi (1914), o segundo com o início de suas comemorações neste ano. Você conheceu pessoalmente e conviveu com essas grandes personalidades de nossa MPB, dá para você comentar um pouco sobre eles?

Menescal – Bom, o Vinicius era o mais velho da nossa turma e o mais moleque. Ele deixou uma obra incrível, pela facilidade que ele tinha em criar e fazer letra.


Nicolau – Ele era mais letrista, não? Era um poeta ...

Menescal – Mais letrista. Me lembro do nosso primeiro encontro. Estava com o Carlinhos Lira. Eu fiquei na minha, pois eu não conhecia o Vinicius. O Tom (Jobim) tinha dado umas cinco músicas para ele colocar a letra. Ele falou para o Carlinhos (Lira): “Eu soube que você tem umas músicas muito boas, que o Tom me falou”. E o Carlinhos disse: “É, eu faço algumas músicas”. E o Vinicius então perguntou: “Você não tem aí alguma folha para me dar, não?” (olha só, que ele tinha acabado de pegar algumas do Tom.) E aí tem um fato muito engraçado. O Carlinhos disse que tinha e ia mandar uma fitinhas (fitas cassetes). Uma semana depois, o Vinicius telefonou para o Carlinhos e disse que ia passar na casa dele deixar as músicas e depois ia para a casa do Tom (eles moravam na mesma rua do Tom) e pediu para o Carlinhos telefonar para ele depois de receber as músicas já com as letras. Aí o Carlinhos ouviu as músicas e ligou para o Vinicius: “Puxa, Vinicius, eu ainda estou emocionado com as músicas.” E o Vinicius então perguntou: “Você gostou das músicas?” E o Carlinhos então respondeu: “Gostei, mas eu fiz uma coisa muito romântica e pela sua letra vejo que está uma coisa mais balançada!” O Vinicius então disse: “Não, eu acho que está havendo algum engano! Qual foi a música?” O Carlinhos então disse: “Olha, eu vou cantar para você um trechinho: Olha, que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela menina que vem e que passa ...” Aí o Vinicius disse: “Ih, não, essa é do Tomzinho! Então a tua deve estar aqui!” O Vinicius tinha trocado as folhas e passado para ele a letra de “Garota de Ipanema”. Ele havia trocado a folha da “Minha namorada” (risos). Este era o nosso Vinicius de Moraes.

vinicius_menescal_m1Nicolau – Então nosso “poetinha” tinha dessas travessuras? E vocês tinham uma diferença de idade entre eles (Tom e Vinicius)?

Menescal
– Carlinhos e eu tínhamos nesta época entre 16 a 18 anos de idade. Vinicius era uns vinte anos mais velho que a gente. O Tom era uns dez anos mais velho. Vinicius tratava a gente como se fosse de nossa idade. Era um moleque total! Ele armava cada uma para gente! Era um garoto e assim se comportava.


Nicolau
– Há um documentário sobre o centenário de Vinicius de Moraes, no qual fica bem claro esta personalidade dele, quando a gente ouve e assiste os depoimentos daqueles que com ele conviveram. E o Dorival Caymmi?

Menescal – Eu conheci o Dorival através do Aloisio Oliveira, que era o produtor da Elenco Discos. Um dia ele me chamou para ir à casa do Dorival Caymmi. A princípio, fiquei meio assim, mas ele insistiu e disse que tinha umas idéias bacanas e estava com vontade de fazer um disco “Tom visita Caymmi”, que depois foi feito. Chegando lá, o Caymmi disse que tinha ouvido falar de mim. Eu agradeci. E os filhos dele (Nana e Dori), que nesta época tinham entre 13 a 14 anos, ficaram me olhando. E foi um encontro lindo. Ai eu falei que era apaixonado por uma música dele “Canção da Noiva” e indaguei como ele tinha composto a música, que era muito complexa e com poucos acordes. Ele então me respondeu: “Será que fui eu mesmo que fiz esta música?” Eu então disse que conhecia a música como de sua autoria. Ai ele me disse: “Tem hora que eu penso se fui eu mesmo que fiz. Eu acordei e sai cantando música e letra. Será que eu não fui apenas um veículo de alguma coisa?” Isso é de uma grandeza imensa (se emociona e se diz arrepiado ao lembrar sobre este fato). Depois ficamos amigos e depois o Tom fez o disco e acabou gravando uma música minha. Fizemos um show “Vinicius e Caymmi” no Zum, Zum (antiga casa de shows carioca) que ficou um ano em cartaz, sob a direção de Aloisio de Oliveira. Aí você vê, hoje, uma grande temporada é de três dias ...

Nicolau
– Veja só! Menesca, porque você acha que este fato não se repete hoje? Um ano em cartaz, hoje a gente não vê, não é mesmo?

Menescal – É a velocidade da comunicação nos dias de hoje! Olha aí a Internet! É muita coisa que ela oferece e na mesma hora! Não dá! Naquela época você não tinha muitas opções. Você não tinha ainda a força do vídeo. Era ali naquela hora e acabou-se. Quem perdeu, perdeu. Por isso que quando se rememora estes fatos, a opinião geral hoje é que não aparece coisas tão fortes e que a gente se emociona. Estamos falando de cultura. Essas foram fortes e permanecem em nossa memória. Por isso, acho importante reviver esta memória cultural, puramente brasileira. Aí as pessoas pensam: “Como foi legal isso, vamos reviver a vida dele, vamos rememorar...”

cartaz_m1Nicolau – Mas essa coisa de cultura, principalmente na música, tem vários caminhos, não? Principalmente aqui no Brasil, você não acha?

Menescal – Não menosprezando algumas modalidades musicais, há de fato dois caminhos. Há a Música Prápular Brasileira, que não é para entender nada, mas para “cantar e botar prá fora toda a expansão, angústia e alegria” e a Música Popular Brasileira, que não é muito popular, mas que mexe com os nossos sentimentos e emoções. Inclusive a Joyce e eu chamamos essa de Música Criativa Brasileira. Então, são caminhos diferentes: uma é para você ouvir e apreciar e a outra para você “pular, cantar, expandir e extravasar”. Agora, acho que talvez seja a hora de dividir. Não dá para botar tudo num saco só! E essa coisa que você falou de fazer um “pocket show”, vou te contar que 50 por cento das apresentações que hoje eu faço é o que chamo de “pop bossa”, é com a presença de jovens que interagem num clima bem íntimo, indagando e perguntando sobre compositores e músicas da Bossa Nova e eu vou tocando e contando. O pessoal adora e eu gosto muito desse tipo de apresentação.

Nicolau – Você fez isso um pouco parecido quando você, Miele, Jane Duboc e Danilo Caymmi vieram aqui em 2012, no Teatro Riachuelo, não?

Menescal – É, mais ali, faltou este contato com o público. Eu falo quando a gente está num ambiente de no máximo 200 pessoas. É bom demais e rende muito mais. Eu prefiro.


Camila Masiso recebe Roberto Menescal em alto estilo no Teatro Riachuelo

Nicolau Frederico,
A convite da cantora potiguar Camila Masiso, o músico, compositor e produtor musical Roberto Menescal esteve mais uma vez em Natal. Veio participar como convidado especial do projeto "Grandes Encontros Musicais de Natal", que completou na última quinta-feira de maio (30, feriado de Corpum Christi) a sua quinta edição, comemorada com sucesso de crítica e público.


O projeto "Grandes Encontros Musicais de Natal" é uma realização do produtor cultural Amaury Júnior, com patrocínio da Unimed Natal por meio do Programa Djalma Maranhão de Incentivo Cultural. O projeto visa uma efetiva valorização da música produzida no Rio Grande do Norte e inclui encontros e intercâmbios entre artistas locais - protagonistas do projeto - e artistas de renome nacional. Um emocionante encontro de gerações!

Na véspera do show, estive no estúdio em que Camila, Menescal, Eduardo (Dudu) Tauffic (teclado), Diogo Guanabara (cavaquinho e violão) e outros músicos, fizeram o único ensaio. Menescal enviou ao Dudu há meses antes as partituras originais de suas músicas que seriam apresentadas no show. Ele é um excelente músico (teclado) e arranjador musical, muito elogiado pelo Menescal. Neste ensaio a gente pode ver que eles se entenderam perfeitamente.

No show não deu outra, perfeitos em todos os sentidos. Camila entrou primeiro no palco com seus músicos e depois chegou Menescal, aplaudido pelo público, que tocou e empolgou a platéia em músicas como "O barquinho" (de sua autoria em parceria com Ronaldo Bôscoli). A final, sugerida pelo próprio Menescal, não poderia ser melhor para levantar o público e fazer todos cantarem: "Chega de saudade" (Tom e Vinicius), considerada a primeira canção da história da Bossa Nova.

Quero aqui agradecer a gentileza do produtor do show, Amaury Júnior, por ter permitido minha presença na coxia do Teatro Riachuelo, pois não havia mais ingresso para o espetáculo.

camila_h1

Enquanto aguardava sua apresentação, Menescal concedeu uma entrevista exclusiva ao "Espaço MPB" em seu camarim no Teatro Riachuelo, falando sobre o show com Camila Masiso e banda.

Nicolau – E esta sua vinda a Natal?
MenescalEu estou aqui hoje, em Natal, por culpa sua. É, é verdade! Um dia você me traz uma pessoa jovem, a Camila. Uma pessoa muito legal e que canta minhas músicas e de repente estou fazendo um show a convite dela, que eu soube que nem você conseguiu mais ingresso. Eu acho que a vida é essa. Você, sempre estar aberto para ela. Não precisa correr atrás dela. Eu não corro atrás de nada. Não vou a lugar nenhum programado. As coisas é que chegam, passam e ficam. Este para mim é o segredo da vida.

Nicolau – A Camila Masiso, que lhe convidou para este show em Natal, começou no rock, passou pela música regional e de repente, se atirou de vez na MPB. Por isso ela me chamou a atenção. Tem também o Diogo Guanabara e o Eduardo Tauffic. Fale um pouco sobre o que achou deles.
MenescalO Diogo eu conheci ainda quando ele era garoto, em uma apresentação com o Osvaldo Montenegro. Ele sempre olhava para mim assim de lado. Ontem, quando aqui cheguei eu disse para ele: “Eu te conheço!” Ele me falou então daquela época com o Osvaldo Montenegro e eu me situei. É uma turma muito boa! No ensaio parecia que eu estava tocando com o meu conjunto. Eu estava vibrando com eles. O Dudu (Eduardo Tauffic) também. Que pessoa maravilhosa! Ele foi essencial para este show. Eu mandava as partituras para ele e ele fazia os arranjos e acertava tudo. Acho que seria muito bom para a Camila fazer uma preparação detalhada com o Dudu, já que ela está pensando ir ao Rio (de Janeiro). Porque tem umas coisas que me lembram muito o que o Tom (Jobim) falava quando eu o indagava: “Tom, esta nota é assim ou assim?” E ele me respondia: “A gente faz e o povo arredonda.” É muito legal a gente conhecer a música original e tem que saber este original. E eu acho que a Camila está na hora de ouvir essas músicas no original, nisso o Dudu é um craque. É importante ver na partitura e tal. Ela é muito talentosa e tem vontade. 

Nicolau – Menescal, agora deixe uma mensagem para os internautas deste “Espaço MPB” no portal Nominuto.com, pois sei que você leva um pedacinho do Rio Grande do Norte por ter morado por aqui na sua infância.
Menescal Morei aqui até os três anos de idade, na cidade de Macau e em Mossoró, onde tem um hospital em nome de meu pai. Meu pai, que era diretor de uma companhia de navegação, contava uma história que Lampião mandou um cara dizer na cidade que ele nem ia entrar e que deixassem na rua todo objeto de valor e que ele mandaria catar. O povo reuniu quem tinha armas e foi para a igreja resistir. Aí ele deu alguns tiros e foi embora dizendo: “Não vale a pena não, é muito pobre!” Aos amigos de seu blog eu digo que aqui na terra tá ficando muito bom. Tem o lado negativo, mas, puxa, tá ficando muito bom. Cada dia que passa tá melhor e a gente tem é de ficar ligado naquilo que é possível. Talvez dez anos atrás você não tivesse a informação que você tem hoje. Tem coisa que antes que eu saiba, você já publica e eu ficou sabendo pelo seu blog. Então, fiquem atentos que tem muita coisa acontecendo e vocês tem aqui uma fonte de informação muito legal, até melhor do que a nossa lá no Rio (de Janeiro).

menescal_m2Fiz mais uma segunda entrevista com Roberto Menescal no dia seguinte à sua apresentação no Teatro Riachuelo. Ele fala sobre os livros publicados em parceria com a escritora e fotógrafa Bruna Fonte, o centenário de nascimento de Vinicius de Moraes e Dorival Caymmi, sobre as homenagens ao maestro Tom Jobim, sobre suas parcerias nacionais e internacionais, enfim, sobre os seus 55 anos de carreira nos seus 75 anos de idade. Esta entrevista, em torno de duas horas de duração, vai ser divulgada durante toda esta semana, em partes, dada a importância de suas informações, históricas para mim e para aqueles que admiram este grande músico, compositor e produtor musical brasileiro.

*Com informações da produção de Camila Masiso e de Roberto Menescal


Pery Abraça Simonal - Duetos com amigos já está nas lojas em Natal

Nicolau Frederico,

mpb_m1A convite do empresário e produtor musical João Santana, que reside aqui em Natal/RN, ouvi em primeira mão esta semana as 23 faixas do CD duplo que ele produziu: "Pery Ribeiro abraça Simonal - duetos com amigos", lançado esta semana pela gravadora paulista Atração. Acaba de chegar às lojas da Rio Center e também pode ser adquirido online no site oficial da gravadora Atração.

João Santana era amigo e quase irmão do cantor Wilson Simonal, que passou uma temporada em sua casa aqui em Natal no final de sua vida e ainda fez o seu último show na capital potiguar. Em seu estúdio natalense a gente constata esta longa e sincera amizade pelas fotos e cartazes estampadas na parede. Uma emoção grande!

E João relata que "em 2010, quando aqui esteve Pery Ribeiro, ainda no "Seis & Meia" (projeto musical que era apresentado semanalmente no Teatro Alberto Maranhão, promovendo artistas locais e trazendo outros de renome nacional), falei com ele sobre este projeto em homenagem a Wilson Simonal, até então seria ele cantando Simonal. Não é que o Pery gostou tanto da idéia que sugeriu incluir também os amigos dele e de Simonal! E qual foi minha surpresa quando apareceram mais de 23 artistas (número limite para o CD duplo) que se dispuseram a participar desta homenagem em duetos com Pery! Cara, realizei um sonho! Estou emocionado e feliz, além de grato ao grande amigo que era Pery Ribeiro, que nos deixou em 2012, e aos amigos artistas que aceitaram o convite para o projeto." 

O CD duplo

mpb_m2Último disco gravado em vida por Pery Ribeiro, o CD duplo é também uma homenagem ao Wilson Simonal, pois o repertório é focado neste outro grande nome da MPB! Não bastasse isso tudo, soma-se ainda que as músicas foram gravadas com participações super especiais de artistas de peso de nossa MPB, tais como Caetano Veloso,  Fagner, Tony Garrido, Simoninha (filho de Simonal), Ângela Maria, Alcione, Elza Soares, Carlos Dafé, Chico César, Wanderléa, Luiz Américo, Agnaldo Timóteo, Altay Velloso, Bebeto, Geraldo Azevedo, Lecy Brandão, Marina Elali, Neguinho da Beija Flor, Netinho de Paula, Rosana Santos, Zéca do Trombone, Zélia Duncan e uma gravação que o João Santana tinha do próprio Simonal, com todo aquele "suingue".

Pery Ribeiro dispensa qualquer comentário. Fica neste lançamento a saudade do intérprete que deixou sua marca na música popular brasileira, ao lado de seus pais, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. “Duetos com Amigos” , é um dos melhores lançamentos dos últimos tempos por tudo que envolve! Você precisa apreciar o dueto feito entre Pery e Ângela Maria na música "Aos pés da cruz"! Imperdível!

Os modernos processos tecnológicos de mixagem sonora proporcionaram a este CD duplo uma qualidade de som incomparável, permitindo unir a voz de Pery e de Simonal aos de seus amigos, além da qualidade dos arranjos da orquestra, feitos pelas mãos do produtor João Santana.

Confira as faixas do CD duplo:

CD - 1

01-Aqui é o País do Futebol
02-Noves Fora
03-Aos Pés da Cruz
04-Remelexo
05-Minha Namorada
06-Sa Marina
07-País Tropical
08-Lobo Bobo
09-De Como Um Garoto Apaixonado Perdoou Por Causa de um dos Mandamentos
10-Gosto Tanto de Você
11-Nem Vem Que Não Tem
12-Na Galha do Cajueiro

CD - 2

01-Tributo A Martin Luther King
02-Mais Valia Não Chorar
03-Velho Arvoredo
04-Não me Deixe Sozinha
05-Samba do Avião
06-Balanço Zona Sul
07-Vesti Azul
08-Silêncio
09-Canto Livre
10-Embrulheira
11-Mustang Cor de Sangue

Com informações e foto da gravadora Atração e do produtor João Santana 


Centenário do "poetinha" Vinicius de Moraes

Nicolau Frederico,

Uma série de eventos já estão programados para a comemoração dos 100 anos de nascimento de um dos mais importantes nomes da poesia e da música brasileira: Vinícius de Moraes.

A comemoração, no trecho entre Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, vai contar com a presença de grandes parceiros e nomes da música de todas as gerações, em show, mostras, exposições e espetáculos, contando a história e a obra desse artista imortal.  Uma oportunidade maravilhosa de homenagear e valorizar a cultura brasileira.

Um site oficial já está na Web para que você possa acompanhar de perto a vida e a obra do nosso saudoso "poetinha" que tanta alegria nos trouxe quando estava entre nós. Vinicius de Moraes deixou- nos uma rica obra literária e musical. Acompanhe aqui o site oficial do centenário de Vinicius de Moraes.

Um documentário também foi postado em um dos canais do YouTube que conta a vida e a obra deste grande brasileiro com depoimentos de seus amigos e parceiros. Confira aqui.

Com informações dos organizadores do centenário de Vinicius de Moraes e de YouTube 


Livro abre centenário comemorativo de Dorival Caymmi

Nicolau Frederico,
o link da editora

livro_Dorival_Caymmi"O que é que a baiana tem?" Esta canção marcou a vida e a obra de um grande compositor e cantor baiano que, na verdade, viveu quase toda a sua vida na cidade do Rio de Janeiro. Patriarca de uma família de músicos, cantores e compositores de nossa MPB, ainda hoje é cantado em prosa e verso e sua música se imortalizou.

Falo do compositor, cantor e violoncelista baiano, de alma carioca, Dorival Caymmi, pai de Danilo, Dori e Nana. Em abril de 2014 completaria o seu centenário de nascimento. Um ano antes, agora em 30 de abril último, sua neta Stella (filha de Nana) e os jornalistas Sérgio Cabral e Tárik de Souza, lançaram o livro "O Que É que a Baiana Tem? - Dorival Caymmi na Era do Rádio", pela editora Civilização Brasileira.    

Na história da música popular brasileira, o período que vai de 1930 a 1950 ficou conhecido como a Era do Rádio. Ao longo dessas duas décadas, o rádio, meio de comunicação surgido no Brasil no decênio anterior, os anos 20, se consolidou como plataforma para o lançamento de músicas e a popularidade de cantores e compositores, quase sempre em apresentações ao vivo, nos auditórios das emissoras.

Neta e biógrafa de Dorival Caymmi, a jornalista Stella Caymmi escreveu o livro a partir de mais de 70 entrevistas com o avô, complementadas com pesquisas em seu arquivo pessoal e no próprio compositor. Muitas das longas conversas, segundo Stella, ocorreram pouco antes da morte de Caymmi, em 2008.

A ideia foi fazer uma seleção crítica de temas importantes e centrais a partir dos depoimentos de Caymmi, sobretudo os que acarretaram tensões e dificuldades em sua carreira”, disse. A jornalista é autora também de uma extensa biografia do avô, "Caymmi – O Mar e o Tempo", resultado de dez anos de pesquisa e lançada em 2001.

Imortalizada na voz de Carmen Miranda, a canção “O Que É que a Baiana Tem?”, que dá título ao livro, é o eixo da narrativa que mostra como se deu o sucesso meteórico do baiano Dorival Caymmi a partir de sua chegada ao Rio de Janeiro, em 1938. A música foi composta para o filme "Banana da Terra" e foi sucesso no carnaval de 1939.

Carmen, quando tomou conhecimento de O Que É que Baiana Tem?”, ligou de São Paulo para o meu avô, querendo gravar a música. Os dois gravaram em dueto, coisa rara na época. Muitos compositores faziam músicas para a Carmen, mas Caymmi foi o primeiro a ser convidado a cantar com ela em uma gravação. Ele começou com o pé-direito”, afirma Stella.

Os conflitos entre os artistas e as emissoras de rádio e as gravadoras também são analisados pela autora, que destaca ainda a influência de intelectuais de esquerda, como Jorge Amado, na trajetória do avô e no engajamento de Caymmi na luta pelo direito autoral. “Ele foi um dos criadores da Associação Brasileira de Compositores e Autores (ABCA), antecessora da União Brasileira dos Compositores (UBC)”, disse.

Conheça a vida e o obra do nosso saudoso e querido Dorival Caymmi no Dicionário Cravo Albin da MPB.

Veja também o link da editora

Fique também com este vídeo para "matar a saudade" desse grande e inesquecível "baiano de alma carioca".

Com informações da Agência Brasil e do Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira. Foto de Divulgação. Vídeo do YouTube. 


Vanessa da Mata canta Tom Jobim

Nicolau Frederico,

Acabo de assistir via Web, em transmissão direta do Parque da Cidade, em Brasília/DF, um show histórico na MPB, na semana que se divulga um filme de um dos grandes músicos e compositores de sua ala jovem da década de 80.  

Uma das principais cantoras brasileiras da atualidade, Vanessa da Mata, interpretou as canções do maestro, compositor e mestre da bossa nova, Antônio Carlos Brasileiro Jobim em um show para todos os brasilienses e gratuito.

"É essa a proposta do NIVEA Viva Tom Jobim, que reforça o seu compromisso de promover cultura no país por meio do tributo a um grande talento da música popular brasileira, apresentando às diferentes gerações as canções que estão entre as fortes lembranças musicais da memória nacional.", afirmam os produtores e coordenadores do projeto.

Este  ano é o "cinquentenário" do primeiro disco solo de Jobim, The Composer of Desafinado, Plays, é o marco que sela o tributo de NIVEA VIVA Tom Jobim em 2013.

São 6 shows gratuitos em diferentes capitais do Brasil, onde Vanessa da Mata canta toda a beleza da música de Tom Jobim. Salvador, Recife, Brasília, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro recebem o show, sendo que o de Brasília ainda teve transmissão ao vivo no canal da NIVEA no YouTube.

Fique de olho nas datas que faltam para não perder essa grande homenagem. Próximo show será em Porto Alegre/RS (19 de maio),São Paulo (26 de maio) e Rio de Janeiro (ainda sem data definida).

Fique com Vanessa da Mata que fala sobre o projeto em que homenageia o grande maestro, músico e compositor Tom Jobim.

Com informações da coordenação do Projeto Nívea Viva Tom Jobim 



Ao mestre Tom Jobim, com carinho

Nicolau Frederico,

As homenagens que pipocam pelo país são justas e merecidas. Perto de completar 20 anos que ele nos deixou (1994-2014), o seu nome e sua obra permanecem vivos entre nós, pois até mesmo um aeroporto internacional leva o seu nome: Antônio Carlos Brasileiro Jobim, o saudoso e sempre lembrado mestre Tom Jobim!

A mais recente homenagem é do Grupo Folha de S. Paulo que dedica uma coleção inteira ao grande maestro de nossa MPB. Em 2008, comemorando os 50 anos da Bossa Nova, o mesmo Grupo dedicara o primeiro número da coleção de CD/livro ao músico e compositor brasileiro.

Agora, a "Coleção Folha Tributo a Tom Jobim"  reúne 20 álbuns originais do compositor, violonista e cantor que levou a música brasileira para o mundo. Com ênfase em seus discos gravados originalmente em estúdios, nos EUA e no Brasil, inclui também parcerias históricas de Jobim com expoentes da MPB, como Elis Regina, Gal Costa, Dorival Caymmi, Edu Lobo, Chico Buarque, Toquinho e Miúcha.

Os livros que acompanham os CDs da coleção trazem textos de críticos e repórteres especializados em música popular brasileira, que inserem cada álbum em seu contexto histórico e artístico. Todos os volumes incluem, também, uma análise do repertório do respectivo álbum, fotos históricas do compositor, de seus parceiros e outros personagens.

Instituto Tom Jobim

Para que as novas gerações conheçam a vida e a obra do grande maestro e músico brasileiro e carioca, foi criado o Instituto Antônio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, seu lugar predileto e onde sempre buscava inspiração para suas canções que falam da natureza e da fauna brasileira.

Lá se encontra o Espaço Tom Jobim, onde se localiza a Casa do Acervo. Ela abriga o acervo pessoal físico e digital de Tom Jobim, resguardando os originais do artista a fim de que as futuras gerações possam, da mesma forma, ter o privilégio de conhecê-los. 

Atualmente, o espaço digital do Instituto abriga também os acervos de Lúcio Costa, Dorival Caymmi, Chico Buarque e Gilberto Gil.Os acervos de Milton Nascimento e de Paulo Moura estão em fase de implementação.A equipe do Instituto, bastante diversificada, é composta por músicos, pesquisadores, historiadores, designers e arquitetos, agregando qualidade à catalogação de cada acervo.

Tom nas telas

Amigo de Tom Jobim, o diretor premiado Nelson Pereira dos Santos é o responsável pelos dois filmes produzidos em 2012 sobre o compositor. "A música segundo Tom Jobim", uma produção da Sony Pictures, com a direção em parceria com a Dora Jobim, é um documentário que mostra a trajetória musical do compositor de clássicos como "Garota de Ipanema", "Chega de Saudade" e "Águas de Março". Aborda ainda a parceria com Vinicius de Moraes e a influência da música clássica em sua obra.

O segundo filme, também sob formato de documentário, é " A Luz de Tom", lançado este ano, tem a vida de Tom Jobim narrada pelas vozes femininas, as favoritas do compositor. O filme completa o retrato do maestro, com depoimentos inéditos, intercalados com as músicas, de três mulheres importantes na vida de Tom Jobim: a irmã Helena Jobim e duas mulheres com quem foi casado, Tereza Hermanny e Ana Lontra Jobim.

A partir da memória delas, o filme constrói um outro Antonio Carlos Jobim, tendo como ponto de partida o livro de memórias "Um Homem Iluminado", da irmã do maestro. A ficha completa do filme inclui ainda no roteiro, Miúcha Buarque de Holanda, e no elenco Helena Jobim, Thereza Hermanny e Ana Lontra Jobim. A produção e distribuição é da RioFilme/ Bretz.

Tom nas letras

Para aqueles que gostam de uma boa leitura e gostariam de saber como surgiram as lindas canções do nosso saudoso maestro, recomendo o livro "Tom Jobim - Histórias de Canções", da Editora Leya. O livro, lançado em 2012, narra as circunstâncias em que dezenas de músicas foram criadas. O jornalista Wagner Homem, autor dos volumes voltados ao cancioneiro de Chico Buarque e de Toquinho, trabalhou com o músico Luiz Roberto Oliveira, amigo de Jobim. As histórias foram tiradas de outros livros e de relatos de companheiros da bossa nova, como Carlos Lyra e Roberto Menescal.

A luta do compositor para que se preservassem os versos de Vinicius para "A Felicidade", que desagradavam ao diretor do filme "Orfeu Negro", Marcel Camus, em 1959, fica clara em cartas ao poeta. "Há vários versos que não cabem na música, porém deixei-os assim para que examines bem o sentido do Camus. Ficamos fulos de raiva, Tê (a mulher, Thereza) e eu, porque ele não quer teus lindos versos (...) Esse francês é bobo!" A letra quase acabou assim: "A felicidade é como o orvalho/ Pousado numa pétala de flor/ Ela cintila, estremece, escapa/ Como as lágrimas dos namorados".

Com informações do Instituto Antônio Carlos Jobim e da Editora Leya.


Ernesto Nazareth, 150 anos

Nicolau Frederico,

mpb"Um dos compositores de maior importância para a cultura brasileira, deixou obra essencialmente instrumental, particularmente dedicada ao piano. Suas composições,  apesar de extremamente pianísticas, por muitas vezes retrataram o ambiente musical das serestas e choros, expressando através do instrumento a musicalidade típica do violão, da flauta, do cavaquinho, instrumental característico do choro, fazendo-o revelador da alma brasileira, ou, mais especificamente, carioca."

Assim descreve o historiador Ricardo Cravo Albin sobre Ernesto Nazareth em seu Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, cujos detalhes você pode acompanhar acessando aqui . Ernesto Nazareth nasceu no dia 20/03/1863 na cidade do Rio de Janeiro e faleceu na mesma cidade em 04/02/1934.

O historiador Cravo Albin em seu dicionário relata ainda que Nazaret era "compositor e pianista. Filho de Vasco Lourenço da Silva Nazareth (ex-despachante aduaneiro) e de Carolina da Silva Nazareth, nasceu em uma modesta casa no morro do Nheco, hoje morro do Pinto, no bairro da Cidade Nova, no Rio de Janeiro."

E continua descrevendo o artista que "criou-se durante períodos caracterizados por grandes mudanças e instabilidade social e política no país, como a guerra do Paraguai, o movimento abolicionista e a instauração da República. Ainda na infância, sofreu uma queda que lhe afetou o ouvido direito, causando problemas auditivos que lhe acompanharam por toda a vida."

Sobre sua carreira musical, destaca que "a iniciação musical foi feita por sua mãe, que era pianista e faleceu quando ele tinha apenas 10 anos. Estudou ainda com Eduardo Madeira (músico amador), teve algumas lições com Lucien Lambert, passando desde então a formar-se autodidaticamente."

Um detalhe na vida de Ernesto Nazareth é relatado por Cravo Albin e que influiu muito em sua vida, quando afirma que "por volta de 1932, passou a residir em Laranjeiras. Em 1933, após um longo processo de perda de audição, o compositor foi definitivamente vitimado pela surdez, fato que veio a causar-lhe perturbação mental e conseqüente internação no Instituto Neuro-psiquiátrico situado na Praia Vermelha e posteriormente na Colônia Juliano Moreira, situada em Jacarepaguá."

Este fato resultou que "em fevereiro de 1934, saiu para um passeio pelas alamedas do sanatório e, sem ser visto, fugiu, desaparecendo. Após alguns dias de busca, o corpo do compositor foi encontrado nas águas da Cachoeira dos Ciganos."
 
Em comemoração aos 150 anos de nascimento de Ernesto Nazareth, o Instituto Moreira Salles, em parceria com o Instituto Jacob do Bandolim e Musica Brasilis, lançou o portal Ernesto Nazareth, 150 anos . Acesse e conheça mais de perto a vida, a obra e a carreira musical deste grande músico e compositor carioca que marcou para sempre a história de nossa MPB.

Com informações do Instituto Moreira Salles e Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira. Foto: acervo de Luiz Antônio de Almeida.


MPB instrumental na Rádio Cravo Albin

Nicolau Frederico,

O historiador, crítico e produtor da MPB, Ricardo Cravo Albin, anuncia mais um de seus projetos. Agora o Instituto Cultural Cravo Albin, criado por ele e que você pode acessar clicando aqui, leva ao ar na Web a sua Rádio Cravo Albin, exclusivamente com música instrumental brasileira.

É o próprio Cravo Albin que no intervalos musicais anuncia com orgulho e emoção: "No sopé do Pão de Açucar, vocês estão ouvindo a Rádio Cravo Albin. O melhor do chorinho e da música instrumental. A rádio dos músicos do Brasil, a única que não tem canto, só instrumentos".

Uma das novidades que Cravo Albin traz é que a cada música apresentada, você acompanha na Web, via computador, tablet ou smartphone, informações tais como: músico que está  se apresentando, sua biografia, seus dados artísticos, suas obras, sua discografia, sua biografia crítica e críticas sobre o músico. Tudo extraído do Dicionário Cravo Albin da Música Popular.

A Rádio Cravo Albin conta com o apoio da FAPERJ, UNIRIO, UERJ, Irmãos Vitalle, BNDES e Socimpro. 

Que tal a gente acompanhar o que está no ar agora na Rádio Cravo Albin e compartilhar com quem gosta da boa música popular brasileira de todos os tempos?

Então, vamos lá, acesse e click aqui

Com informações do Instituto Cultural Cravo Albin



Leila Pinheiro e Roberto Menescal, ao vivo

Nicolau Frederico,

leila_1Um show inédito vai acontecer em maio próximo, lá em Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro. Vai unir dois grandes amigos músicos de nossa MPB: a cantora e pianista paraense Leila Pinheiro e o músico, compositor e produtor musical Roberto Menescal.    

A amizade de Leila Pinheiro e Roberto Menescal vem de 1985, quando Menescal, então diretor da Polygran, convidou a cantora para integrar o cast da gravadora. De lá para cá foram muitos projetos juntos no Brasil e no exterior.

Neste ano os dois amigos e parceiros dividirão o palco do Espaço Furnas Cultural, em Botafogo, com um show inédito nos dias 10 e 11 de maio, “Leila Pinheiro e Roberto Menescal – ao vivo”. Apresentado somente no Japão, em uma tour ano passado por quatro cidades (Tokyo, Saitama, Nagano e Nagoya), com direito ainda a noite de homenagens no Brazilian International Press Awards do Japão, o novo show mostra a total afinidade de Leila com a bossa nova de Menescal e do mundo.

O piano e a voz de Leila e a guitarra bossanovista de Menescal deslizam em arranjos inéditos com muito swing em sucessos de Menescal com diferentes parceiros como “A morte de um Deus de sal”, “Vagamente”, “Rio”, “A volta”, “Nós e o mar” e o clássicos “O barquinho” – todas com Ronaldo Bôscoli – “Amanhecendo” (com Lula Freire), “Bye, bye Brasil” (com Chico Buarque). Clássicos de Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Marcos Valle também estão no roteiro.

Serviço:
Dias: 10 e 11 de maio de 2013 – sexta e sábado
Horário: 20h
Entrada: Rua Real Grandeza, 219 – Botafogo – Rio de Janeiro, RJ
Grátis – Retirada de ingressos
Os ingressos serão distribuídos 1 hora antes dos espetáculos, na Portaria da Rua Real Grandeza, 219, e serão limitados à capacidade do Auditório: 192 lugares.
Apresentação na portaria
A entrada de pessoas trajando bermudas e sandálias é permitida somente nos finais de semana.
Classificação: Livre

*Com informações da equipe de Produção de Roberto Menescal


Pery abraça Simonal com os amigos

Nicolau Frederico,
Divulgação
Empresário e produtor musical João Santana concedeu entrevista exclusiva ao Espaço MPB, onde relata o grande projeto.

Já está concluído o novo CD “Pery abraça Simonal com amigos”. A obra tem a produção do empresário e músico natalense João Santana, com arranjos musicais dos potiguares Edu Santana, Nazareno Vieira (falecido em 2012), Oscar e Joca Costa. A grande novidade do projeto é que o CD traz Pery Ribeiro, que nos deixou também ano passado, mas já havia gravado toda a sua participação como anfitrião do projeto que recebe os convidados de Simonal e com eles canta em dueto.

O CD chega ao mercado neste primeiro semestre de 2013, pois ainda restam as negociações comuns em projetos fonográficos desta natureza, tais como aos direitos autorais de imagens e gravações dos artistas convidados para o projeto. 

No repertório musical estão clássicos da bossa nova que foram gravados originalmente por Wilson Simonal e que agora recebem versões de Pery Ribeiro com Alcione, Caetano Veloso, Agnaldo Timóteo, Chico Cesar e Marina Elali, entre muitos outros. Ao todo são 23 faixas, cada uma interpretada por um grande nome da MPB em dueto com Pery Ribeiro.

O empresário e produtor musical João Santana concedeu uma entrevista exclusiva ao Espaço MPB, onde relata este grande projeto, justa homenagem a um grande nome da história de nossa MPB: Wilson Simonal, por outro talento como compositor e cantor, o saudoso Pery Ribeiro. 

Espaço MPB - Como surgiu a idéia?

João Santana - Era um projeto antigo que eu tinha para prestar uma homenagem a Simonal. Convidei vários amigos dele, inclusive o Pery Ribeiro, que se dispôs a cantar com nomes famosos da MPB, canções que Simonal gravou que foram sucessos e outras que ele gravou também, mas que não foram sucesso. Mièle é quem faz o texto de apresentação da capa do CD. Lá, ele conta que algumas músicas que Simonal gravou, como "Velho alvoredo" (Delmiro/Paulo César Pinheiro), que não foi sucesso, Mièle diz que "azar do sucesso, pois é uma música forte que retrata a tristeza de Simonal. 

Espaço MPB - Quem são esses artistas?

João Santana - É um projeto que conta com amigos e admiradores de Wilson Simonal. São 23 nomes de nossa MPB, que começa com Simoninha, filho de Simonal; Fagner, Ângela Maria, Caetano Veloso, Alcione, Agnaldo Timóteo, Vanderléa, Marina Elali, Tony Garrido, Carlos da Fé (grande nome da "black music" que canta e interpreta uma música "Gosto tanto de você", que Pelé fez para Simonal), Rosana Santos (cantora da noite que interpreta Simonal a vida toda), Elza Soares, Lecy Brandão, Chico César, Geraldo Azevedo, Luiz Américo, Zeca do Trombone, Zélia Duncan, Neguinho da Beija Flor, Netinho de Paula.

Espaço MPB - Pery canta com todos? Mas são de estilos totalmente diferentes da bossa nova, não? 

João Santana - Sim. Todos cantando com Pery Ribeiro e prestando sua homenagem em interpretações diferentes de seus cotidianos. Veja só: Fagner cantando bossa, Caetano Veloso, cantando bossa nova. É sempre Pery e o convidado, ambos cantando bossa. Não posso deixar de lembrar também uma música chamada "Embrulheira" (de Luis Vagner), que Pery canta com Bebeto, um cantor também da "black music" carioca. Nesta música, Simonal faz alguns desabafos sobre o seu afastamento do meio musical. 

Espaço MPB - Agora, que o seu projeto está concluído, como você se sente? Missão cumprida?

João Santana - Foram três anos de luta, com várias viagens no trecho Natal, Rio e São Paulo. Mas o que me orgulha muito é que os arranjos do CD foram feitos por músicos aqui mesmo de Natal. A produção é de minha autoria. Os arranjos são do músico Nazareno, que faleceu este ano. Naza fez arranjos sensacionais, como em "País tropical". Mas o que chama a atenção neste projeto é a maneira com a qual foram feitos os arranjos musicais. Eu gosto de fazer releitura de músicas. E fiz uma concepção musical diferente das músicas. A batida é diferente! E muito ajudou na execução desta concepção os arranjos feitos pelos músicos Edu Santana (filho de João Santana), Nazareno Vieira, Oscar e Joca Costa.

Espaço MPB - No CD há também alguma novidade especial, que você gostaria de destacar?

João Santana - Você precisa ver Ângela Maria cantando "Aos pés da Santa Cruz" em ritmo de bossa! Também há uma grande novidade, quando o próprio Simonal participa falando. Em outro momento, temos Chico César cantando jazz e Lecy Brandão, também. Cada um dando a sua interpretação diferente das músicas de Simonal. O interessante é que, quando os convidados estavam em estúdio, gravando suas participações, muitos se emocionaram e a maioria dedicou especial atenção em suas interpretações. Quando outros cantores souberam do projeto, mantiveram contato comigo, desejando participar. Assim, já tenho em vista outro projeto com este mesmo conceito de anfitrião, convidados e duetos. Isso é muito gratificante para mim, como produtor musical. 

Espaço MPB - Simonal deixou para nós a imagem daquele músico que tinha um "suingue" especial. De fato, esta sempre foi sua característica principal ou ele teve outra experiência no início de sua carreira?

João Santana - Simonal sempre foi um excelente intérprete. Veja bem, ele cantou ao lado de Sarah Vaughn, de Samy Davis Junior. Se demorasse mais um pouco em sua estadia nos EUA teria cantado com Frank Sinatra ou Nat King Cole. Simonal esteve em 39 países e chegou a vender mais discos que os Beatles, que Roberto Carlos. É preciso ficar bem claro que Simonal não é aquele que ficou na imagem das pessoas. Ele teve grandes interpretações. Por isso, acho importante fazer a releitura de suas músicas. Veja que ele era tão bom que musicou o "Recruta Zero" (...marcha soldado cabeça de papel ...). Simonal fez samba, pagode, funk, forró... era muito eclético. Ele não teve tempo de mostrar às novas gerações todo o seu valor e talento.

Espaço MPB - E porque a escolha de Pery como o anfitrião que recebe os amigos de Simonal?

Pery Ribeiro e João SantanaJoão Santana - Pery Ribeiro era muito amigo de Simonal e já tinha cantado junto com ele. Elza, Pery e Simonal juntos. Quando soube do projeto, Pery se convidou, pois eu ia convidá-lo para o projeto. Aí ele me disse: "se você me convidar, eu vou participar..." Isso se deu em sua última apresentação aqui em Natal, em 2010, no projeto "Seis & Meia", no qual você estava presente e você o entrevistou. Ele estava muito ansioso por este projeto. Depois disso, ele veio a Natal e gravou toda a sua participação. Neste projeto, Pery colocou toda sua alma na homenagem a seu grande amigo, Simonal. Lamentavelmente ele não está aqui para comemorar conosco esta conquista. 

Espaço MPB - Notei que há uma convidada potiguar no projeto, Marina Elali. Seria uma "pitada" do sabor musical potiguar no CD?

João Santana - Creio que sim. Trata-se de uma cantora potiguar de talento indiscutível e que hoje integra o cast nacional da MPB. Ela teve todo o cuidado na interpretação da música "País tropical". Levou para os EUA e colocou sua voz em estúdio de lá e não mediu esforço para participar do projeto.

81-97 de 97