Entre lanternas e livros

Sobre castelos de areia, metáfora da vida

Michelle Paulista,


Uma das metáforas mais gastas é a dos castelos de areia. Castelos de areia são erguidos a partir de forminhas, geralmente presenteadas em datas infantis. Por isso mesmo, são artificiais. Não são compostos de verdades, embustes que são. Por serem moldes, são decorativos, previsíveis. Coisa impossível é habitar castelos de areia; eles não nos acomodam; não podemos ser conteúdos de tais continentes.

Embora lindos, se acaso pudéssemos adentrá-los, seríamos soterrados pela verdade indiscutível que os permeia: são burlas.

Um castelo de areia não é sequer um castelo, é uma réplica, representação desse sonho insistente que carregamos de sermos princesas e príncipes, felizes para sempre. Embora lindos, são carcomidos pela água. Sua natureza é ser ludíbrio temporário.

Às vezes, o vento os derruba. Outras, o próprio castelo vem e com um chute na cara, se desfaz.

O que se tem de certo é que sempre chega o momento: a qualquer hora, ele rui. 


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