Entre lanternas e livros

Kukukaya: precisamos

Michelle Paulista,


(Republico texto de minha autoria sobre a excelente Kukukaya, da qual tenho a honra de ser colaboradora)


Embora vivamos em terreno fértil de artistas e produção literária, falta “paú” às vezes para que nossas artes floresçam.

Talvez tenha sido essa a inspiração para a revista Kukukaya, um dos mais importantes lugares de divulgação da arte, cultura, literatura e poesia potiguares. Conversando com meu amigo Alfredo Neves, ele me contava um pouco da etimologia do termo: palavra de origem cigana que remete a algo que nasce entre dificuldades, regado a suor e lágrimas.

  Creio que é bem assim mesmo: quando tivemos alguma facilidade para tratar de literatura? Literatura não vende, não enriquece, no Brasil é difícil viver de arte em geral, quiçá de literatura... Não dá votos, nem audiência... No máximo, uma condecoração ali e acolá...

  A revista mescla poesia potiguar e nacional, artigos acadêmicos e sobre o cotidiano, crônicas, política, entrevistas. É hoje um importante refúgio para nós, quixotes das Letras, num mundo cada vez mais mecanizado, coisado, “empreendorado”, “proativado” e tantos ados, igualmente discutíveis.

  Diria que a revista traz a grife de Alfredo Neves, amigo, artista plástico, poeta e outros predicativos. Thiago Gonzaga, amigo e pesquisador da literatura potiguar (um dos melhores). Para arrematar, Manoel Onofre Jr., sem apresentações, pois sua figura e nomes assim dispensam.

  É bom saber que suor e lágrimas, líquidos que são, resultaram na virtual concretude da Kukukaya, necessária, literária e artística.


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