Entre lanternas e livros

De uma leve brisa junina

Michelle Paulista,


Cheguei antes dela, atendendo a um chamado. Recebeu-me com um abraço afetuoso, surpreendentemente familiar, embora fosse a primeira vez. Quando percebi, caminhava pelo calçadão, percorrendo uma distância não marcada, a perder de vista.

Sem marcação de tempo e espaço, ela me acompanhava, solidária, entre alternâncias travessas dos pingos de chuva que bagunçavam meu cabelo: deixei-o solto, naturalmente assanhado, para que sorvesse a maresia matinal.

A cada parada, ela me sorria meio tímida, meio cheia de iniciativa. Era uma brisa alegre, inusitada. Brisa de primeira vez, de sopro incipiente, de ternos carinhos em mim. De repente, como num rompante, ela me toca o rosto e então pude sentir seu afeto ocupando o espaço do meu corpo e alojando sua presença em minhas lembranças diárias pelo resto do dia.

Ela segurava em minhas mãos, como me dando novo impulso, algo de reset, como uma senha para novos dias a percorrer.

Era beira-mar. Uma manhã junina mesclada de sol e neblina. O sol que aparecia com timidez, a areia, o mar e ela -a brisa leve - deixaram-me temperada de felicidade.


A+ A-