Entre lanternas e livros

De gratidão ou sobre Manoel Onofre Jr.

Michelle Paulista,


  A gentileza tem muitos nomes e um deles é Manoel Onofre Jr.

  A bajulação é flácida, não se porta com substância. A gratidão é firme, altiva, de pé. Diria que, se personificadas, a primeira seria uma senhora caquética, cheia de recalques e amarguras, manca e feia. A última, uma jovem senhora de andar endireitado, passos incisivos, cheia de frescor.

  Promessas de fim de ano, faço muitas. Como não consigo emagrecer nem juntar dinheiro, resolvi almejar algo mais possível e nobre. A perda de um velho vizinho boêmio – por quem eu nutria um amor de avô – me motivou uma promessa de fim de ano: jamais deixaria de expressar gratidão por medo da velha mole e feia.

  Neutralizada a velha, fico livre para expressar meu agradecimento sem parecer bajulação. Gratidão de graça, assim mesmo, redundante. Porque gratidão é mesmo superlativa, transbordante: um dos mais belos gestos-sentimentos.

  E em se tratando de Manoel Onofre Jr., vem junto à admiração a sua exuberante simplicidade. A simplicidade de quem carrega um dos mais importantes títulos da carreira jurídica. De quem é imortal com assento na Academia norte-rio-grandense de Letras. No entanto, falo de alguém que sempre me tratou – uma professora anônima da rede pública – como se fosse uma figura de grande notoriedade social. Mais que isso, emprestou-me seu tempo e atenção em conversas fundamentais à escrita do meu projeto de ingresso ao doutorado e artigos diversos.

  Chamo-lhe gentleman. Tenho-o assim. Gentil nas palavras e nos gestos; também o é nos silêncios. Eu seria capaz de passar muito tempo conversando com ele ou ouvindo-o falar de outros grandes, tais quais ele.

  Esse não é um texto para sair em revistas ou jornais. É, digamos, um Hermes de papel, mensageiro que diz por mim: obrigada, muito obrigada, Manoel Onofre Jr. A gratidão tem uma irmã menos virtuosa: a audácia. Não é que ela me autorizou a nos considerarmos amigos? Já me refiro a você como tal. Não me censure. Dessa vez, livre a mim e a velha caquética. É agora culpa da gratidão.

  Junto com a jovem senhora, muitos sentimentos nobres. 
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