Entre lanternas e livros

Com qual roupa se come sushi?

Michelle Paulista,


Na volta da votação, me deu vontade de comer sushi e parei num restaurante de comida japonesa. Era na cidade verde, bairro que pertence a Parnamirim mas que alguns moradores fazem de conta que é zona sul de Natal. Entrei e de repente todos os olhares se voltaram pra mim. Eu não estava vestida de gestora, com a bolsa baú, sapato alto e usando Angel. Eu estava com a camisa de um partido, de short, de sandália baixinha. Eram nítidos os olhares  de assombro, muitos de narizes empinados ,talvez se perguntando: o que essa lascada  veio fazer aqui? Uma senhora discretamente me cumprimentou. Os demais, cochichavam. Fiz meu pedido, comi: estava uma delícia.
Esqueci de dizer que eu portava uma bolsinha pequena, comprada no camelô, onde estavam meu livro e documentos. E, claro, o cartão de débito, com o qual eu poderia pagar qualquer coisa que quisesse consumir ali. 
Eu sou essa, sou várias. Uso perfume francês e uso também a lavanda do supermercado. Ando de salto e de Havaianas. Uso vestidos bons e, do mesmo jeito, uso confecções de Fortaleza e Caruaru. Adoro ser várias; eu posso ser o que eu quiser. 
Anteontem, almocei no meio da rua, no frango da esquina. Ontem comi sushi. Ontem fui votar, hoje começo a resistência. Que se danem os olhares, vamos por mais, vamos sem medo! 


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