Entre lanternas e livros

Clauder Arcanjo e sua paródia à literatura policial - Por Thiago Gonzaga

Michelle Paulista,



O escritor cearense, radicado em Mossoró, Clauder Arcanjo, desembarcou em Natal, semana passada, para lançar, na Academia Norte-rio-grandense de Letras, instituição da qual ele é membro, seu mais novo livro, “O Fantasma de Licânia”, novela (Sarau das Letras, 2019). 

Em “O Fantasma de Licânia”,  o  criativo autor nos traz novamente à sua cidade imaginária, “Licânia”, desta vez habitada por um fantasma, “um único e mísero fantasma”, numa trama repleta de humor, diálogos e sustos,  espécie de paródia à literatura policial, em que homenageia vários escritores da literatura universal, como, por exemplo, Conan Doyle ,com o Holmes da caatinga, “elementar, elementar”, e Machado de Assis, referência a “Missa do Galo” , e proximidade com a linguagem permeada de ironia.  Afora Sherlock Holmes, outros personagens estão ali de cara para o leitor mais atento, como o Conselheiro Acácio, da obra “O Primo Basílio”, de Eça de Queirós, e vários outros tipos e cenários como a cidade de Mossoró, e lugares não muito conhecidos, ao menos para o grande público, como o “Beco da Galinha Morta”, rua da pequena cidade litorânea de Areia Branca. Interessante notar que o próprio autor se torna personagem da sua narrativa, numa experiência criativa, misturando-se narrador e autor. A divertida novela é uma espécie de folhetim, onde os capítulos podem ser lidos de forma individual, e tem um final atípico, todavia curioso e interessante. Leitura muito agradável, bem que vale a pena tirar duas horas longe do computador ou smartfone, para se aventurar nas páginas adentro e tentar descobrir que mistério é esse do Fantasma de Licânia.

Clauder Arcanjo é natural de Santana do Acaraú (CE), e reside em Mossoró (RN), desde 1986. Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará (UFC), ficcionista, cronista, poeta e ensaísta. Durante anos foi professor universitário e é um dos idealizadores-produtores do programa Pedagogia da Gestão, na Tv a Cabo Mossoró (TCM), programa voltado para o incentivo às boas ações de gestão, educação e cultura na região Oeste do Estado. Clauder Arcanjo fundou juntamente com o escritor David de Medeiros Leite, a Editora Sarau das Letras, que já publicou mais de 200 livros.

Por anos, Clauder foi cronista semanal do Jornal “Gazeta do Oeste” (Mossoró), e usou durante muito tempo o heterônimo Carlos Meireles, (homenagem a Carlos Drummond e Cecília Meireles) para resenhar textos literários, colaborando em sites, revistas e jornais de várias partes do país. Atualmente coordena, no “Jornal de Fato”, o Espaço Martins de Vasconcelos e escreve para a versão on line do jornal “O Mossoroense”, para o site “Substantivo Plural” e a revista cultural “Kukukaya”, dentre outros veículos literários.

Publicou os seguintes livros: “Licânia” (contos), “Lápis nas Veias” (minicontos), “Novenário de Espinhos” (poemas), “Uma Garça no Asfalto” (crônicas), “Pílulas para o Silêncio” (aforismos, edição português-espanhol),“Cambono” (romance), “Separação” (contos). Organizou em parceria com David de Medeiros Leite, “Sarau das Letras – Entrevistas com Escritores”; e com Ângela Rodrigues Gurgel e Raimundo Antônio, a coletânea “Café & Poesia”: volume I e Vol. II, em parceria com  Kaliane Amorim e David de Medeiros Leite.

Clauder Arcanjo é membro da Academia de Letras do Brasil (ALB), Academia Mossoroense de Letras (AMOL), da Sociedade Brasileira para Estudos do Cangaço (SBEC), do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), e de outras instituições culturais e literárias de todo o país.

Em 2017, o escritor recebeu o título de cidadão norte-rio-grandense, que lhe foi concedido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, e na ocasião, discursou, dizendo a certa altura: “Minha Santana do Acaraú está um pouco enciumada, sabe que estou morrendo de amores pelo solo potiguar, mas devo dizer que nunca rompemos com nossa terra natal. Mas, o solo potiguar está marcado em minha memória afetiva”.

O escritor ainda tem no prelo “Mulheres Fantásticas”, contos, e “Carlos Meireles: Oficio de Bibliófilo”, ensaios críticos e resenhas de sua autoria, dispersos em revistas e jornais.


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