O futebol

Edmo Sinedino,

Já falei aqui sobre os tantos grupos que saí por conta de política, o último, acreditem, um seleto ajuntamento de jornalistas civilizados, inteligentes, de intelectos além do meu alcance,  mas foi o contrário, a concordância política, não 100%, sempre dava para tolerar, discutir, dialogar, discordar, mas aí veio o futebol...

E eu não tenho mais tempo para perder com fanatismo ou gente que não sabe absolutamente nada de bola e que, além do mal comum do torcedor, a cegueira da paixão, ainda tem um imenso complexo de vira latas e faz questão de depreciar quem, como eu, gosta do futebol do Brasil, e prioriza, principalmente a minha terra.

 Pulei fora, não dá para perder tempo discutindo com quem coloca o Flamengo no mesmo "patamar" de Boca e Ríver e que não perde uma oportunidade de malhar jogadores brasileiros, principalmente se forem do Flamengo, tendo Vinícius Júnior e Paquetá, hoje , os seus alvos preferidos, ao mesmo tempo que trata Gareth Bale como astro do futebol. 

Sim amigo jornalista, você não errou, eu não acompanho tanto o futebol da Europa. Você deveria saber o motivo, mas eu direi: eu trabalho em Natal, para a mídia de minha cidade e meu Estado, o que não me impede de ver o mundo e constatar que, os grandes ídolos que você coloca em pedestais não passam de cometas, isso mesmo, cometas, com raríssimas exceções.

Você vai espumar, mas até mesmo os que você considera "monstros sagrados" como Mbappé e Griezman, por exemplo, já não fazem tanta diferença, se bem que, no caso do primeiro, a mediocridade é tanta nesta Europa de jogadores medianos elevados à condição de craques, principalmente os defensores, que ele ainda vai fazer muita festa, mas nada que o faça chegar ao pés de um Marinho Chagas, por exemplo. E você sabe de onde saiu Marinho Chagas? Isso mesmo, ele surgiu em um dos clubes dos "craques" que você debochou.

Vou continuar acompanhando o meu futebolzinho, priorizando ABC, América, Alecrim e todo o resto, e comemorando, informando, sem cortesia (eu não sei ser cortês) sobre o pobre futebol que você debocha, tenta ridicularizar e de onde surgiram já saíram craques que o tal galês comum que você cita não amarra a chuteira - Dequinha, Marinho Chagas, Souza, Rodriguinho e outros imortais de meu Estado que, infelizmente, o mundo não teve a chance de ver e você, se viu, fingiu que não.

Vou parando, pois eu garanto a você, superjornalista , aprendi muita coisa jogando em clubes que você considera chinfrins. Conheço talentos de longe, do bater na bola; diferencio, sempre, muito bem, o craque do bom, do comum, e do perna de pau, sim pois na história do futebol do mundo muitos murrinhas encerraram a carreira ricos, cercados de glórias e conquistas e tratados como gênios por conta de quem nada sabe de futebol, mas se acha.

Eu sei a diferença porque compreendo a subjetividade do futebol. Eu sei diferir entre Parreira e Telê Santana, Garrincha e Pelé, Cristiano Ronaldo e Messi e tenho a mais absoluta convicção que os dois meninos do Flamengo são infinitamente superiores tecnicamente ao seu eleito. Para isso, não preciso de títulos, conquistas, manchetes de jornais europeus, preciso tão somente da minha percepção.


Tags: futebol marinho chagas mbappe monstros souza
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