ABC derruba favoritismo do América com garra e talento do estreante João Paulo

Edmo Sinedino,

festaBC_09Arena das Dunas, quarta-feira, 22/01, mais de 15 mil torcedores. Uma partida como a de hoje eu gostaria de escrever somente elogios, pois as duas equipes merecem, mas a gente sabe, claro, o torcedor que perde não perdoa e já começa a pegar no pé do treinador achando que uma mexida, supostamente, errada  teria provocado a derrota, e não foi assim. 

América 3 x 4 ABC, um partidaço de duas viradas espetaculares e que provoca mudança de liderança na Copa Cidade do Natal, que tem um novo líder, o alvinegro, com 16 pontos.

 Esse grande duelo mostrou boas atuações de lado a lado, com raras exceções, mas essa partida teve um um nome: o meia João Paulo, que fez uma estreia daquelas inesquecíveis e, se quiser jogar, sem dúvida, veio para ser o ídolo da Frasqueira. Marcou dois gols, fez jogadas de efeito, tabelas, finalizações, passes precisos e uma qualidade única de conseguir encontrar sempre espaço para jogar.

Disse antes da parida que o América era o favorito no clássico. Relembro depois para que não achem que fujo do que falo ou mudo de opinião de acordo com o lance seguinte. E sinceramente, não vi demérito nenhum na derrota rubra, diria inclusive que, jogo por jogo, posse de bola, mais ações de ataque e maior lucidez na ligação de setores foi do América. O ABC de Francisco Diá foi inteligente taticamente, soube tirar proveito dos espaços criados pelo talento do João Paulo e do Berguinho.

Os torcedores na saída do estádio, hoje saí mesmo entre torcedores, do América, reclamavam do treinador Waguinho Dias. Falavam de "nó tático" dado por Francisco Dia´, discordo. Foi um duelo de muitos acertos dos treinadores. 

Se Waguinho cometeu um equívoco ao tirar Leandro Melo e fazer entrar o atacante Adílio, Diá também pisou na bola ao fazer, antes da metade do segundo tempo, as três mexidas que tem direito. E de novo, no final, ficou com um figurante em campo, o Vítor Salvador, contundido, jogando como centroavante fixo. E as coisas quando têm que dar certo: ele foi bem na função.

Eu não teria tirado Berguinho, 12 minutos muito cedo, se o meia não estava cumprindo o planejamento tático que trocasse as funções. Berguinho é um talento que um treinador não pode prescindir assim tão fácil. O ABC ficou apenas com João Paulo para a criação, mas o cara estava em noite inspirada e deu certo. No caso de Waguinho: eu sacaria um volante, grande nome em campo, para arriscar mais e vencer o jogo? Naquela altura, vendo um João Paulo em campo precisando ser vigiado, acho que não. Mas ele acreditou, e não deu certo, acontece.

O jogo

O ABC começou muito bem, tirando o espaço do América, com marcação adiantada, diferente da forma como vinha jogando. Foi premiado logo aos quatros minutos, uma linda jogada de Berguinho, passe prefeito, deixando Wallyson na cara do goleiro, um tiro perfeito, certeiro e cruzado. E ele marcou seu quinto gol.

O América não se abateu. Continuou jogando de forma equilibrada, levando perigo em jogadas pelo lado esquerdo e chegou ao empate assim. Cruzamento de Renan e gol de cabeça, Tiago Orobó, vacilo de marcação da defesa alvinegra. O ABC, pelo contrário, sentiu o baque do empate e o América, superior, marcou o segundo,Daniel Costa, com muita precisão na finalização.

 Imaginei que o ABC cairia geral, e desta vez, como já havia acontecido contra o Potiguar de Mossoró, sentiria demais. E ficou mesmo, mas num lance de bola parada o alvinegro foi salvo, dessa vez a falhafoi da defesa rubra. João Paulo levantou na muvuca, Marlon subiu com Adriano Alves e empatou. 

Quatro gols em pouco mais de 20 minutos de duelo no primeiro tempo. Um colírio para olhos cansados de tantos jogos de pouca qualidade. Mas ainda tinha mais. João Paulo recebeu passe açucarado de Jailson dirblou o goleiro Everton e colocou mansamente nos fundos das redes, 3 a 2, final do primeiro tempo para alegria dos já encantados frasquerinos com a atuação do estreante.

A bola volta a rolar no segundo tempo. E o América, nem poderia ser diferente, tentou tomar conta dos espaços em busca do gol de empate. Pressionou, rondou, criou e chegou ao seu objetivo num lance confuso, dentro da área, a bola sobrou para Tiago Orobó que, diante da indecisão dos zagueiros alvinegros voltou a empatar a partida.

A partir do gol de empate, o América, confiante, partiu para conseguir mais uma vitória e criou várias boas situaçõe de ataque, obrigando o goleiro Rafael a aparecer na partida. Mas, ao mesmo tempo, dava perigosos espaços para João Paulo e Wallyson, dois jogadores de boa qualidade de finalização, além do Igor Goularte, já em campo, sendo mais uma boa opção de jogada vertical. Num primeiro lance, antes do quarto gol, João Paulo recebeu e bateu com qualidade, Everton fez grande defesa. ABC vivo.

O jogo seguia. Waguinho Dias ousa demais. Tira Leandro Melo, um dos melhores jogadores em campo, para a entrada do atacante Adílio. Ele afirmou em entrevista que a troca não provocou a derrota, mas tenho certeza que deu mais chances para que um jogador, machucado em campo, conseguisse ter participação direta no gol da vitória. Salvador tocou na bola meio sem jeito, Wallyson dominou, inverteu para Goularte que, parou, olhou, e fez, não um cruzamento, mas um  passe para João Paulo. O meia, com categoria, aparou bem e bateu no contrapé de Everton. 4 a 3. 

Jogo decidido, festa da Frasqueira, festa dos jogadores do ABC e comissão técnica, acho até que um pouco exagerada, mas compreensível diante do favoritismo que cercava a partida em favor do rival.

Fim de uma das melhores partidas que acompanhei na Arena das Dunas nos últimos anos.


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