A estratégia de Francisco Diá

Edmo Sinedino,

festaBC_091E o ABC do técnico Francisco Diá. Qual teria sido sua preleção antes do jogo em que o adversário era apontado como favorito, mesmo sendo um clássico de tanta tradição/ Como tentar reverter a situação?

Ao contrário dos outros jogos, a postura do ABC foi de uma marcação bem mais adiantada, justamente para evitar que o América, pelo entrosamento maior, pelos problemas menores que tem enfrentado, e jogado mais justo o seu grupo, tomasse conta da partida.

Sua primeira estratégia deu resultado. Uma bola recuperada na defesa, trabalhada de pé em pé, com grande participação do talentoso jogador Berguinho, passe perfeito entre os zagueiros, em linha, e gol de Wallyson

E Diá obteve sucesso. 

Ele entrou Felipe Manoel centralizado ao lado de Cedric, ala, deslocado para a marcação do meio-campo. Eu imaginei que o Cedric auxiliaria um pouco mais acompanhando a passagem do ala esquerdo do América, Renan Luiz. Mas essa era a a missão de Berguinho, o que, para mim, equívoco do treinador. O América empatou e virou o jogo daquele lado. Parecia ter achado o seu mapa da mina.

O treinador do ABC corrigiu a falha, preencheu mais os espaços, barrou um pouco mais a subida do Renan e num lance de bola parada, gol de Marlon de cabeça, empatou a partida. O América não consertava sua defesa em linha e, dessa forma, tomou o terceiro gol. Lançamento de Jailson, preciso, João Paulo marcou.

Segundo tempo, a missão era frear o ímpeto do América. Francisco Diá não mudou e quando o fez tirou Berguinho, talento que faria falta, colocando Goularte para ele descer com o lateral. Em cobrança de escanteio, o ABC tem falhado muito assim, o América empatou.

Diá enxergou novo grande espaço onde perderia a partida e mexeu. Entra Richardson no lugar do Marlon, já morto em campo e numa zona de muita qualidade do América com Krobel. Ponto para Diá. Depois a entrada de Vinícius Paulista, Cedric desce para a sua e o volante faz dupla com o Manoel para tentar barrar a posse de bola e perigo que rondava pelo meio.

Acerto que se transformou em erro. Vítor Salvador se machucou e ele já havia feito as três. Inteligentemente, mais que depressa, Diá sacudiu Salvador para fazer número na frente e recuou mais o Paulista. O ABC sutentou a meia pressão do América e ainda tinha boas jogadas de saída.

De novo, tirando proveito da recomposição ainda falha do América, e do espaço que aumentou com a saída de Leandro Melo. Chutão na direção de Salvador, ele, doente, mesmo assim ajeitou, Wallyson achou Goularte, belo lance e passe, gol de João Paulo e Diá ganhou a partida.

Houve um nó tático como muitos apregoaram? Não. Uma ação errada, essa é minha opinião, do treinador do Diá, e outras mais que acertadas para ganhar a partida, e foi assim.

Foto: Luciano Marcos/Equipe de comunicação do ABC

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