The Intercept & conspiracy theory

Carlos Alberto,

Não precisa ser nenhum expert em ordenamento jurídico para se concluir que houve, sim, um conluio para alijar Lula do processo eleitoral no Brasil na última eleição. A Lava Jato usou indevidamente o aparato jurídico para atender interesses políticos. Repito o que já dissera antes: o Código de Ética do Ministério Público, o Estatuto da Magistratura e a Constituição Federal foram afrontados de forma vil. Basta analisar os diálogos entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

Sejamos franco, caros leitores, não há diferenças de opinião sobre a parcialidade do então juiz federal, Sergio Moro, mas para alguns esta é a sua principal virtude.

As novas revelações sobre diálogos entre promotores do MPF que conduzem a Lava Jato, só fazem confirmar a teoria da conspiração que levou o ex-presidente Lula à cadeia. Prova maior disso é que o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, só passou a ter crédito em suas delações após mudar a narrativa sobre o triplex do Guarujá em São Paulo.

Não custa lembrar que na sentença do então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Bolsonaro, em 12 de julho de 2017, ele escreveu: “ainda que tardia e sem o acordo de colaboração, é forçoso reconhecer que o condenado José Adelmário Pinheiro Filho [Leo Pinheiro] contribuiu nesta ação penal para o esclarecimento da verdade”.

O empreiteiro apresentou a versão que incriminou Lula em abril de 2017 quase um ano após o início das investigações.

Pois muito bem: o empresário só passou a ter credibilidade para a força-tarefa da Lava Jato depois que mudou sua versão e passou a acusar o ex-presidente Lula.

Os diálogos divulgados pelo The Intercept Brasil revelam que os relatos apresentados pelo empreiteiro sofreram diversas mudanças no período de um ano.

No parecer de 22 de agosto de 2017, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou: “eventuais tratativas preliminares não interessam à defesa de qualquer acusado – aí incluindo o reclamante [Lula], tanto porque, neste momento, ainda não se tem certeza acerca do fornecimento de informações incriminadoras, quanto pela possibilidade de que essas tratativas subsidiem a realização de diligências investigativas, das quais o sigilo seja condição necessárias de exequibilidade e eficácia”.

“O empreiteiro que incriminou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso que o levou à prisão sem provas foi tratado com desconfiança pela Operação Lava Jato durante quase todo o tempo em que se dispôs a colaborar com as investigações, segundo mensagens privadas trocadas entre procuradores envolvidos com as negociações”, reveladas pela pela Folha de S. Paulo neste domingo (30).

Pinheiro só passou a ser considerado merecedor de crédito depois de mudar pelo menos duas vezes sua versão sobre o apartamento do Guarujá (SP), que a empresa afirmou ter reformado para o ex-presidente, de acordo com novas mensagens privadas trocadas entre procuradores envolvidos com as negociações e divulgadas pela Folha, em parceria com o The Intercept Brasil.

Já há prova suficiente para anular o processo contra Lula independente dos novos diálogos a serem apresentados pelo site The Intercept Brasil ou qualquer outro órgão de imprensa. Existe uma prova cabal para que Lula seja solto, o que muitos não atentaram. Nos primeiros diálogos divulgados pelo The Intercept, o Sérgio Moro disse que uma deputada do PSDB falou pra indicar uma testemunha de acusação. Veja que um juiz não pode indicar uma testemunha de acusação, mas o Moro fez isso para o Dallagnol. Isso é crime e o Sergio Moro confessou isso. Ele confessou que foi um descuido formal numa das mensagens encaminhadas a Dallagnol. Tem vídeo dele confessando. Clique aqui para conferir.

Bom que se diga que o décano do STF, ministro Celso de Mello, fez questão de frisar no julgamento do habeas corpus da defesa de Lula, que argumenta que o então juiz Sergio Moro agiu de forma parcial ao julgar o ex-presidente, no dia 25 de junho, que não estava votando o mérito do caso, apesar de já ter o voto pronto, o que levantou especulações de que ele poderia julgar diferente - e pró-Lula - caso o Supremo julgasse o mérito do caso. O principal motivo era um voto anterior de Celso de Mello, de 2013, quando considerou o Sergio Moro parcial no caso Banestado.

Ainda não há data para a retomada do caso relativo a Moro. De todo modo, isso só ocorrerá após o fim do recesso do Judiciário. Entre os dias 2 e 31 de julho os ministros do STF estarão em férias. Já o site The Intercept e agora também a Folha prometem seguir publicando mais reportagens com base nas mensagens trocadas pelo procurador Dallagnol e por Moro.

A conferir!

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