Quem apoia Bolsonaro apoia o retrocesso e não é contra a corrupção

Carlos Alberto,

O governo Bolsonaro continua com a retórica conservadora que marcou a sua campanha e que o levou a ser presidente da República com votos de uma massa marionetada por robôs em redes sociais, o que continua a ocorrer.

Embora tenha prometido descartar o que define como “viés ideológico”, Bolsonaro impõe aos poucos, com a prerrogativa que o cargo garante, sua visão de mundo na administração federal. 

Em seus discursos de posse, os ministros indicados para evitar o toma-lá-da-cá com o Congresso e atender as demandas das bancadas temáticas vocalizaram suas ambições e deixaram claras quais suas intenções. Para tentar aprovar a reforma da previdência, por exemplo, o governo sugere ratear cargos no governo com a criação de novos ministérios, o que foi recusado pela chamada bancada do centrão devido as repercussões negativas. Não mais que isso.

Enquanto reduz as verbas destinadas as universidades públicas e institutos federais de Educação, alegando contingenciamento e não corte de verbas, o governo Bolsonaro, bem ao estilo da caserna, definiu a estrutura do Ministério da Educação, determinando que caberá à pasta promover o modelo de escolas “cívico-militares” nos sistemas de ensino municipais. Falta definir como a ideia irá funcionar na prática.

Na contra-mão da história, por outro lado, o governo belicista declara-se favoravelmente a liberação do porte de armas para a sociedade, como se isso significasse o combate à violência ou quando muito a proteção do cidadão de bem contra o banditismo. Tal medida é tão esdrúxula que um
parecer da Consultoria Legislativa do Senado mostra que o decreto de Bolsonaro que libera a posse e o porte de armas, apesar das alterações, atropela o Estatuto do Desarmamento e é inconstitucional.

Para a Consultoria Legislativa do Senado, o novo decreto não tem nenhuma “modificação substancial” em relação ao anterior, mantendo suas inconstitucionalidades.

Não só isso: os seus ministros também acompanham as aberrações de pensamento de seu patrão. O ministro da Justiça, ex-juiz federal, Sérgio Moro, que trocou o cargo de juiz por uma vaga de ministro do Supremo, conforme declaração do próprio presidente Jair Bolsonaro, embora negado, óbviamente, por Moro, sugere que se reduza os impostos sobre cigarros fabricados no Brasil para combater a entrada de cigarros falsificados no país, sobretudo, do Paraguai. Como se isso trouxesse alguma benesse à saúde dos fumantes.

A título apenas de informação:

  • A queda no Brasil é expressiva: o país já bateu a meta global, que é reduzir o percentual de fumantes na população para 15%.
  • Em 2017, o total de fumantes na população brasileira era de 10,1% (2017), segundo o Ministério da Saúde. Em 1989, 34,8% da população brasileira fumava, segundo a OMS.
  • Uma estimativa publicada em estudo na revista "PLOS Medicine", em 2012, aponta que cerca de 420 mil mortes foram evitadas no Brasil por políticas públicas implementadas entre 1989 e 2010.
  • OMS estima que um em cada 10 cigarros consumidos globalmente sejam comprados no comércio ilegal.
  • O Instituto Nacional do Câncer (INCA) diz que aumento de preços na ordem 10% seria capaz de reduzir o consumo em cerca de 8% em países como o Brasil.

Não bastasse, o governo Bolsonaro para agradar ao governo Trump isentou cidadãos americanos da obrigatoriedade de visto de entrada no Brasil. Pergunta-se: e o brasileiro quando vai aos Estados Unidos terá o mesmo tratamento? Claro que não, lógico. Sob o governo Bolsonaro, que bate continência para a bandeira americana, somos um país submisso aos EUA. Isso sem falar na Base de Lançamento de Foguetes de Alcântara (MA), que foi liberada aos americanos para fazer suas experiências espaciais sem nenhum ônus para os yankes.

Agora, como a sua mais última aberração, o presidente disse que a Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis, 'não preserva absolutamente nada' e falou em fazer um decreto para alterá-la. No entanto, a Constituição só permite mudanças em unidade de conservação por meio de leis. Em 2012, Bolsonaro foi multado por pescar em área preservada.

Vou ficar por aqui, porque se fosse falar das besteiras que o governo Bolsonaro tem cometido não teria espaço o suficiente. Alerto apenas aos que ainda acreditam neste governo, que é hora de repensar os seus conceitos sobre Jair Bolsonaro que está entregando e acabando com o Brasil.

Não se trata aqui de ser ou não de esquerda ou de direita, até porque ideologia não cabe nesta discussão, apenas para alertar enquanto ainda é cedo àqueles que estão sob o ópio da raiva contra a esquerda e, sobretudo, o PT. O ódio não leva a nada e o que está em jogo é o nosso país varonil. A continuar o descaso deste governo as futuras gerações vão pagar um preço muito alto por isso.

A conferir!

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