Que país você quer: um país da intolerância ou um país que preza pelo Estado Democrático de Direito?

Carlos Alberto,

Neste domingo (28), o Brasil volta as urnas e desta vez para decidir de uma vez por todas os destinos da Nação para os próximos quatro anos. Temos o que eu vou chamar de "a bala de prata". Não podemos errar! E como disse a jornalista Eleonora de Lucena, do site Tutaméia, ex-Ombudsman da Folha, em artigo publicado no jornal por estes dias,  “Não adianta pedir desculpas daqui a 50 anos”, numa referência à Globo e à própria Folha, que se redimiram de seu apoio ao golpe de 1964 décadas depois. E resumiu: “É tacape, é esgoto, é fuzil".

Quando pergunto ao leitor-eleitor "Que país você quer? Um país de intolerância ou um pais que preza pelo Estado Democrático de Direito", obviamente estou me referindo as duas candidaturas postas no segundo turno das eleições presidenciais: o ultra-direitista Jair Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, e portanto, com formação de caserna, ou o professor e ex-ministro da Educação Fernando Haddad. O primeiro tem como simbologia as mãos em forma de revólver (clique aqui para ver seus arroubos) e que evita debates preferindo fazer campanha por Fake News. Já o segundo, prefere ter numa mão um livro e na outra uma carteira de trabalho.

Bolsonaro é ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando, é contra a CNBB”. Veja vídeo clicando aqui. Já Haddad prega a paz, a democracia, os direitos trabalhistas, as conquistas sociais, e o respeito as minorias sem intolerância. Haddad defende ainda o Estado democrático de direito garantindo o respeito das liberdades civis, ou seja, o respeito pelos direitos humanos na sua essência e pelas garantias fundamentais, através do estabelecimento de uma proteção jurídica.

Até a imprensa conservadora, pautada por um anti-petismo feroz, começa a dar sinais de que sua adesão incondicional e entusiasmada a Jair Bolsonaro está refluindo. A lua de mel de ao menos parte da imprensa da direita com o candidato de ultra-direita parece estar acabando. Foram esses os sinais claros que a Folha de S.Paulo e alguns dos veículos do grupo Globo emitiram nos últimos dias. O mais expressivo deles foi o editorial de quarta-feira (24) do Valor Econômico, da família Marinho, sob o título: “Os Bolsonaro atacam a imprensa e a democracia” (aqui)

Mas não é só isso: Não se iludam, sobretudo, aqueles que pensam em votar no ultra-direita Jair Bolsonaro, um político que tem como seu ídolo o coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra, de codinome Doutor Tibiriçá, já falecido. Ulstra, para os desavisados, foi o símbolo da repressão durante a Ditadura Militar. O anti-petismo não pode servir de biombo para mergulhar o país nas trevas. Na última terça-feira (23), o Papa Francisco alertou para o risco do avanço do populismo e do ódio, citando como exemplo o ditador nazista Adolf Hitler. Ele se dirigiu também aos jovens, pedindo que aprendam mais sobre a história dos conflitos mundiais ocorridos no último século para que não se deixem enganar com os mesmos erros, entendendo como é que o populismo se espalha.

"Sabemos como começam os populismos: semeando o ódio. Não se pode viver semeando ódio”, disse o Papa

Não se iludam também sobre o que seria um governo Bolsonaro no que toca a economia. Num governo de extrema-direita Bolsonaro seria apenas um testa de ferro para comandar o país com tolerância zero de quem ousar criticar as amargas medidas que seriam tomadas.

O liberalismo do guru de bolsonaro, economista Paulo Guedes, é vendido como o modelo econômico que pode salvar os cidadãos das garras do "Estado malvadão".A marota estratégia dos defensores deste modelo é excluir da equação os grandes predadores do mundo, o 1%: multinacionais, bancos, especuladores, milionários e bilionários. Se o Estado for mínimo, como querem os liberais, são estes que se apropriam da renda enquanto a esmagadora maioria da população luta pela sobrevivência enquanto sofre com o desemprego e os baixos salários, vide Donald Trump.

A título de exemplo da fome neoliberal sob o comando de um testa de ferro de extrema-direita, uma taxa única de 20% no imposto de renda é um dos objetivos de Paulo Guedes. O Brasil tem, atualmente, um sistema tributário altamente regressivo: pobres pagam muito imposto e ricos pagam pouco. Isso porque boa parte da carga tributária incide sobre o consumo. Uma pessoa com patrimônio de R$ 1 bilhão paga exatamente o mesmo imposto que uma pessoa que ganha 1 salário mínimo ao fazer as compras do mês no mercado. A solução óbvia – se quisermos uma sociedade mais justa, é claro – é diminuir os impostos no consumo e criar mais faixas do IR para quem ganha muito mais, além de outras medidas como imposto sobre lucros e dividendos. Ao invés de corrigir essa evidente distorção, a proposta de Paulo Guedes/Bolsonaro é tornar o sistema tributário brasileiro ainda mais injusto: cobrar mais IR dos que ganham muito pouco e cobrar menos dos que ganham mais.

E não só isso. O discurso do ultra-direitista Jair Bolsonaro de combate a corrupção vai por água abaixo. Senão vejamos: o Ministério Público Federal acusa o economista Paulo Guedes de se associar a executivos para praticar fraudes em negócios com fundos de pensão de estatais. Em seis anos, ele captou R$ 1 bilhão em operações suspeitas. Um procedimento investigativo criminal ainda apura se o economista cometeu os crimes de gestão fraudulenta ou temerária. Guedes também é investigado por possível emissão de títulos sem lastros e negociar, através dessa operação fraudulenta, recursos de sete fundos. Ao mesmo tempo, Guedes costurou um programa de governo para Bolsonaro e indica nomes para um eventual governo que favoreçam seus negócios.

Paulo Guedes também preparou um programa de governo à medida para favorecer sua empresa, a Bozano Investimentos. Todas as áreas em que investe a empresa são beneficiadas pelas propostas do “Posto Ipiranga” de Bolsonaro.

Uma das áreas-foco da Bozano é a educação. Nos diversos fundos da Bozano, há oito empresas de educação. A maioria delas explora a educação à distância online ou redes de universidades. Enquanto Guedes fatura com educação à distância, a principal proposta de Bolsonaro para educação é… prioridade total para educação à distância, inclusive para o ensino fundamental. São oito empresas na área educacional que têm a Bozano como sócia, sendo três delas com foco em educação à distância: Q Mágico, plataforma de ensino digital, Wide, que produz e gerencia conteúdos digitais, e a Passei Direto, rede social para universitários. As outras têm também segmentos voltados à educação à distância.

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