Para o PT se correr o bicho pega e se ficar o bicho come

Carlos Alberto,

O Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte começa a viver um dilema diante de uma provável candidatura da vice-prefeita de natal, Wilma de Faria (PSB), ao governo do estado nas eleições do próximo ano. É que se o governador de PE e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, for mesmo candidato, como ele próprio cogita, Wilma naturalmente será a candidata do partido no estado. Já falei sobre isso.

Ocorre que se Eduardo Campos sair mesmo candidato à sucessão de Dilma Ruosseff, o governo e o PT rompem com o PSB. Óbvio ululante, diria Nelson Rodrigues. E aí, claro, o PT no Rio Grande do Norte não vai querer mais saber de aliança com Wilma e o seu PSB. Restaria então duas opções. Apoiar a candidatura de Robinson Faria (PSD), como propõe o seu presidente nacional, Gilberto Kassab, ou, apoiar uma eventual candidatura do PMDB, que neste caso seria o senador-ministro Garibaldi Alves Filho ou o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves. Como Henrique já desautorizou qualquer insinuação sobre uma possível candidatura sua ao governo, resta Garibaldi, o que certamente agrada mais ao PT do RN, pois que o projeto da deputada federal, Fátima Bezerra (PT), é ser candidata ao Senado e se possível fazendo dobradinha com o ministro da Previdência.

Daí o PT ficar numa situação de que se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. Pessoalmente não credito numa candidatura-solo de Fátima Bezerra ao governo. Seria um risco muito grande. Preferível neste caso tentar a reeleição. Contudo, o objeto de desejo neste momento entre os petistas é uma chapa que eles consideram praticamente imbatível: Garibaldi para o governo e Fátima para o Senado. E tem razão: Das vezes em que Garibaldi saiu candidato ao governo seus companheiros de chapa majoritária candidatos ao Senado se elegeram. Falo de Fernando Bezerra e a hoje governadora Rosalba Cairlini.

Mas, como disse outro dia em artigo reproduzido aqui neste blog o cientista político Murillo de Aragão, no cenário atual, há cinco estados (Bahia, Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Norte), mais o Distrito Federal, em que o quadro político está bastante indefinido, impossibilitando projeções firmes para 2014.

É verdade: No RN de candidato mesmo a governador só Robinson Faria já se considera. Nem mesmo a governadora Rosalba Ciarline sabe ainda se será candidata a reeleição. Wilma de Faria, esta só se o PSB romper com Dilma e oficializar a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República. O PMDB ainda não deixou o divã do analista. Ser ou não ser governo? Precisa se definir e lançar, de verdade, um candidato próprio a governador com vistas as eleições do próximo ano. Se ficar sobre o muro corre o risco de ser tragado por uma nova onda vermelha. E o PT, à espera das definições. A conferir!


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