Governador, com todo respeito: ou o Sr mentiu ou lhe enganaram!

Carlos Alberto,

No primeiro programa eleitoral do governador Robinson Faria (PSD), candidato a reeleição, ele disse que mesmo com a crise que o estado enfrenta, não demitiu os cargos comissionados porque pensou nos pais e mães de família que ficariam "desempregados". Governador, com todo o respeito, digo que ou o Sr mentiu ou lhe enganaram!

Basta dar uma olhada no DOE (Diário Oficial do Estado) todos os dias, para se verificar que o governador-candidato está mentindo. Nos últimos meses, governador, a Sesap (Secretaria de Saúde Pública do Estado) tem sido alvo de constantes exonerações dos cargos em comissão, e o pior, quem demite, com a conivência do Sr governador, demite sem se importar que o cargo a ser exonerado para agraciar políticos que querem colocar apadrinhados, é estratégico ou não.

Fato, Sr governador-candidato, é que pessoas inexperientes estão substituindo técnicos da mais alta qualificação profissional. Na Sesap não resta mais quase nenhum cargo que não tenha sido trocado, em geral por cabos eleitorais ou parentes de candidatos a deputado. E o pior, Sr governador-candidato, é que na maioria dos casos os apadrinhados políticos não aparecem nem pra dar o expediente, sequer alguns deles se apresentaram à Sesap.

O caso mais gritante ocorreu na CPS (Coordenadoria de Promoção à Saúde). Em momentos de baixas coberturas vacinais, como a que estamos vivendo no Rio Grande do Norte, com a ameaça de retorno de graves doenças como o sarampo e a poliomielite, foi substituída a subcoordenadora da Vigilância Epidemiológica, pessoa com larga experiência e há tempos ocupando o cargo, em plena campanha vacinal.

Depois foi a vez governador-candidato, da coordenadora de Promoção à Saúde e, como se não bastasse, na última sexta-feira (31), foi exonerada a responsável pela imunização. Detalhe: enquanto o governo federal tenta elevar a cobertura vacinal em todo o país, no Rio Grande do Norte o governador-candidato parece não está preocupado com a situação, porque admite que sejam demitidos profissionais experientes e acostumados a lidar com o problema em troca de apadrinhados políticos, que estão fazendo da saúde pública moeda eleitoreira.

Em todos os casos, Sr governador-candidato, bom ressaltar, os apadrinhados políticos ainda não apareceram. Devem está trabalhando nas campanhas, não de vacinas, mas políticas, certamente. Isso é irresponsabilidade e um descaso com a saúde pública e falta de respeito aos profissionais de saúde. Profissionais estes comprometidos e responsáveis com a saúde do cidadão (ã) que depende do SUS (Sistema Único de Saúde).

Não à toa a jovem Laura Helena, filha de um político conhecido no nosso estado que apóia a reeleição do Sr governador, desistiu de ser candidata a deputada estadual, e em nota tornada pública ela foi taxativa logo no início. Abaixo trecho de seu texto:

"A velha forma de fazer política no Rio Grande do Norte impede minha candidatura. Candidata a deputada estadual com o melhor propósito, o de fazer da ação política um instrumento em benefício da nossa gente, me deparo com práticas e posturas com as quais eu não concordo, não adoto e desde o começo me posicionei contra. Só acredito numa representação justa, construída no ambiente republicano, respeitando as instituições, o processo democrático e o direito livre e soberano de escolha. Essas condições não estão presentes nessa campanha e, assim, não há como transigir diante do mercado livre em que se transformou essa eleição."

Dito isto, chamo a atenção para o Conselho Estadual de Saúde, órgão que acredito ser sério, e para o Ministério Público Eleitoral, que como já disse em Editorial anterior, a saúde pública do Rio Grande do Norte foi transformada em moeda eleitoral, num mercado livre, como bem disse a jovem Laura Helena. Basta um olhar mais apurado para se verificar o que venho dizendo, já há algum tempo, sem que providências tenham sido tomadas. Isso é crime!

A conferir!

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