Dois governos: um faz acontecer, o outro acontece sem fazer

Carlos Alberto,

Pouco mais de 45 dias já se passaram, tempo suficiente para se fazer uma análise de dois governos: falo do governo petista da professora Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, e do governo do capitão da reserva, Jair Bolsonaro (PSL), na Presidência da República. O primeiro faz acontecer, enquanto que o segundo acontece sem fazer.

Sim, Fátima Bezerra conseguiu nos primeiros dias de governo pagar o salário dos servidores dentro do mês trabalhado e já sancionou a Lei 10.485, que abre caminho para a contratação de empréstimo na rede bancária dando como garantia a arrecadação dos royalties de petróleo e gás natural.

A receita, prevista para o Estado até 31 de dezembro de 2022, será direcionada à quitação do débito com aposentados e pensionistas, referente aos anos de 2017 e 2018. A governadora também sancionou a Lei 10.484, que autoriza o Executivo a ampliar o limite para realização de operações com antecipação de receitas orçamentárias previsto na LOA -2019. Duas leis aprovadas por consenso na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Fato!

Já o governo Bolsonaro, em meio as ídas e vindas para colocar em votação pelo Congresso Nacional a proposta de reforma da previdência, vive um inferno astral com os filhos sempre ocupando o lugar do pai, colocando-o numa saia justa. Bem ao seu feitio, aliás.

Ficarei em apenas dois casos pra poupar o governo ultradireitista:

O menino das laranjas (em seis atos)

Primeiro, antes da posse de presidente, vieram à público informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que implicam o filho mais velho, Flávio Bolsonaro, então deputado estadual hoje senador da República.

Ato 1: a primeira denúncia dizia que Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, quando deputado do estado do Rio, recebia sistematicamente transferências bancárias e depósitos feitos por oito funcionários que trabalharam ou ainda trabalham no gabinete do deputado na Alerj. Os valores suspeitos giram em torno de R$ 1,2 milhão. O Ministério Público quer esclarecer essas movimentações.

Ato 2: em uma segunda informação vazada, além dos famigerados R$ 1,2 milhão movimentado atipicamente entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, passaram pela conta de Fabrício Queiroz mais R$ 5,8 milhões nos dois exercícios imediatamente anteriores. Ou seja, no total, Queiroz movimentou R$ 7 milhões em apenas três anos. Segundo o próprio Jair Bolsonaro, Queiroz 'fazia rolo'. "Haja rolo", como disse o colunista Lauro Jardim, n'O Globo. Posso rir?!

Ato 3: E não parou por aí! Novo documento do Coaf mostrou depósitos em dinheiro no valor de quase 100 mil reais na conta do senador eleito Flávio no período de um mês. Foram 48 depósitos, no valor de 2 mil reais cada, entre junho e julho de 2017. Vários dos depósitos foram feitos em poucos minutos, concentrados no posto de autoatendimento na Assembleia Legislativa.

Ato 4: Todo mundo foi convocado pelo Ministério Público a prestar depoimento, mas ninguém compareceu. No entanto, as figuras circularem em entrevistas na Record e no SBT. Pareciam na verdade ter ido fazer testes fracassados para as respectivas novelas, bíblicas e infantis. O caso é que se depender dos amigos, o Pastor Edir Macedo e o apresentador Silvio Santos, ganham o Troféu Imprensa de melhores atores.

Ato 5: Entre as movimentações financeiras atípicas de Queiroz registradas pelo Coaf, há também a compensação de um cheque de R$ 24 mil pago à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, além de saques fracionados em espécie no mesmo valor dos depósitos suspeitos feitos nas respectivas vésperas - o que coloca o problema ainda mais no colo do presidente.

Ato 6: Sem ter pra onde correr, Bolso Jr ataca outra vez e recorre à mamata do foro privilegiado. Flávio Bolsonaro pede ao STF para barrar investigações contra si e Queiroz. E, como no Brasil, há um acordo "com o Supremo, com tudo", consegue!

O primogênito de "papai" também aparece envolvido com líderes de milícias do Rio de Janeiro. A mãe e a esposa daquele que é apontado como um dos líderes do Escritório do Crime, procurado em operação policial, foram empregados no seu gabinete. O grupo é suspeito de planejar o assassinato da ativista dos direitos humanos e vereadora do Rio, Marielle Franco, e seu motorista, ocorrido em março do ano passado.

Tanto Bolsonaro quanto os filhos são defensores destas organizações, a quem homenagearam em discursos e comendas legislativas. A eventual ligação do líder máximo do país com o crime que chocou o mundo, da vereadora e do seu motorista, pode se confirmar como um capítulo ainda mais triste da história do país.

E agora o escândalo mais recente envolvendo outro filho do presidente Bolsonaro. Trata-se do vereador Carlos Bolsonaro, manipulador de redes sociais. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada dias atrás revelou repasse do PSL de R$ 400 mil de recursos públicos do fundo partidário para uma candidata de Pernambuco suspeita de ser “laranja”. Bebianno era o presidente do partido durante as eleições e, segundo a reportagem, autorizou os repasses.

Dias depois, para negar que houvesse crise por causa da denúncia do jornal, Bebianno disse que tinha conversado três vezes com Jair Bolsonaro enquanto o presidente ainda estava internado em São Paulo.
Em uma rede social, o vereador Carlos Bolsonaro classificou a afirmação de Bebianno como “mentira absoluta”. Depois, Jair Bolsonaro compartilhou as mensagens do filho na mesma rede social.

Magoado e demitido do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno falou o óbvio ululante quando apontou o dedo para o pai na crise que culminou em sua exoneração, como bem disse o jornalista Kiko Nogueira do site Diário do Centro do Mundo  .

“O problema não é o pimpolho. O Jair é o problema. Ele usa o Carlos como instrumento. É assustador”, disse, segundo o jornalista Lauro Jardim na sua coluna em O Globo.

E ainda por cima o governo Bolsonaro parece que escalou a ministra da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, para falar merda para desviar o foco das merdas do governo. 

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