Civitatis

Lígia Limeira,

A partir de hoje, tenho o privilégio de trazer e partilhar algumas reflexões com viés na cidadania. Neste espaço, poderemos dividir sonhos e realidades, expectativas e frustrações, tudo intentando dias melhores e mais consentâneos com as nossas aspirações enquanto sociedade.

Os textos serão postados semanalmente e tratarão de assuntos relevantes para a vida coletiva. A ideia é despertar e desenvolver a nossa consciência cidadã. Não esperem por linguagens jurídicas e rebuscadas. Nesse particular, pretendo ser mais democrática. E espero que a recíproca seja verdadeira.

A cidadania, nascida na Grécia antiga, era a poucos acessível. Considerava-se cidadão aquele que exercia funções públicas. Durante séculos, este conceito ficou adormecido, até que reacende, em meados do século XVIII, através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, corolário da Revolução Francesa, e do desenvolvimento do capitalismo.

De lá para cá, a cidadania vem fincando finas raízes sobre a nossa jovem democracia, embora tenha se perdido um pouco no caminho do mundo globalizado, onde mais valem as relações entre os homens e as coisas do que somente entre os homens. Vale dizer que, aparentemente, a parte prevalece sobre a totalidade e a cultura do ter, sobre a do ser.

Por outro lado, somos predestinados ao todo, como toda e qualquer unidade, e, aos poucos, vemos nascer uma nova consciência coletiva, pautada pela necessidade de conviver e confluir.

O conceito de cidadania vai muito além do que julga a nossa vã filosofia. Afinal, o seu pleno exercício se dá até em “briga de comadre”. Ser cidadão, enfim, é sentir-se responsável pelo todo, pelo equilíbrio das relações sociais, pelo bem-estar coletivo e isso - não há quem possa provar o contrário - está longe da realidade que vivenciamos, onde sobrepujam interesses individuais e mesquinhos, má educação (e também a ausência dela), corrupção generalizada e profundo desprezo por qualquer novidade que clame por luta e integração.

Dia desses, li que a falecida Margaret Thatcher (que Deus a tenha em bom lugar), de certa feita, asseverou que a sociedade não existia, mas, tão somente, homens, mulheres, suas famílias e interesses. No Brasil, o país do “jeitinho” e do “você sabe com quem está falando?”, esse modelo ainda impera.

O desafio que se lança é: será possível mudar esse quadro? Eu acredito que sim, porque ainda creio na espécie humana e valorizo a racionalidade que nos diferencia dos demais animais. Vislumbro, sim, a possibilidade de construirmos um mundo muito melhor, mais justo e mais bonito, habitado por pessoas de bem, generosas e emocionalmente saudáveis.

Por acaso alguém sabe de alguma semente que, bem assistida, feneceu? É mais ou menos como ensinou Kahlil Gibran, “a neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes.” E então, vamos semear?

Ah, e por que Civitatis? Porque significa cidadania em latim e porque a língua portuguesa deriva do latim. Tudo a ver com as sementes...

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