Embrapa inicia maior projeto de pesquisa para desenvolver aquicultura no Brasil

Airton Bulhões,

  Foi iniciado o maior projeto de pesquisa em aquicultura já realizado no País. O BRS Aqua envolve 22 centros de pesquisa, 50 parceiros públicos e 11 empresas privadas – números que ainda devem aumentar ao longo de sua duração.bwK4wqd.jpg

  “Esse projeto é de grande importância não só para o nosso centro de pesquisa, mas também para a Embrapa inteira e para o Brasil. É a comprovação de que a aquicultura chegou para ficar e tornou-se uma área estratégica no País”, comemora Eric Arthur Bastos Routledge, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), unidade que coordena o BRS Aqua.

  O projeto é o terceiro maior já financiado pelo BNDES Funtec – linha de crédito não reembolsável a projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação. Serão R$ 45 milhões financiados pelo banco estatal, R$ 6 milhões da Embrapa e R$ 6 milhões da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, totalizando R$ 57 milhões.

  A meta, ao fim dos quatro anos de duração, é estabelecer a infraestrutura e a pesquisa científica necessárias para atender demandas do mercado de aquicultura.

No Brasil, um dos maiores desafios em aquicultura está na falta de pacotes tecnológicos para a criação de importantes espécies aquícolas. Por isso, o projeto focará na pesquisa do tambaqui (Colossoma macropomum), tilápia (Oreochromis niloticus), camarão (Litopenaeus vannamei) e bijupirá (Rachycentron canadum), que apresentam grande demanda de mercado ou possuem alto potencial de produtividade.

O projeto foi bem recebido também por representantes do setor produtivo. Para Antônio Albuquerque, diretor técnico da Associação Cearense dos Criadores de Camarão (ACCC), ele é um sinal de que a pesquisa está atenta às demandas do mercado.

SAIBA MAIS

Segundo dados de 2014 de um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), o consumo mundial na aquicultura é da ordem de 20 kg per capta, enquanto o de carne bovina atingiu menos da metade: 6,54 kg. Nesse cenário é fácil perceber como o mercado da pesca e da aquicultura é promissor no País.

“A demanda mundial por pescados vem crescendo de forma acelerada em decorrência do aumento populacional e da busca por alimentos mais saudáveis. No Brasil isso também ocorre. Em 2003, o consumo era inferior a 6,5 quilos de pescado por pessoa ao ano, hoje esse valor subiu para nove quilos per capta. Se a população ingerisse a quantidade recomendada pela OMS, que é de 12 quilos, isso já representaria um impacto no consumo de 5.722 mil toneladas”,


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